Resumo de leitura: duas semanas após a implementação de um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, o tráfego no Estreito de Ormuz continua limitado. Apenas 16 navios de matérias-primas cruzaram a passagem desde a quarta-feira, com o fluxo ainda fortemente dependente do comércio iraniano. A paisagem marítima permanece recessiva, com centenas de embarcações retidas no Golfo, enquanto autoridades negociam condições que incluam possíveis pedágios e coordenação com as forças iranianas.
O movimento no estreito, peça-chave do comércio marítimo global, continua abaixo dos níveis normais. Dados de fontes especializadas indicam que sete petroleiros e nove graneleiros atravessaram a rota desde o reinício da trégua de duas semanas, anunciada na terça para quarta-feira. A média diária de passagens ronda entre oito embarcações, mantendo-se estável em comparação com o período anterior ao acordo, segundo a análise de especialistas consultados pela Lloyd’s List Intelligence e pela Kpler.
Entre as 16 travessias registradas, dez navios provinham do Irã ou tinham o Irã como destino, mantendo aproximadamente a mesma proporção observada antes da trégua, em torno de 60%. Os restantes estavam vinculados a países não hostis ao regime islâmico, sugerindo que o estreito segue dividido entre fluxos próximos ao Irã e rotas alternativas. A avaliação é de que o tráfego continua em cerca de 90% abaixo da capacidade tradicional, sustentado quase que integralmente pelo comércio ligado ao Irã.
A situação de bloqueio persiste de forma perceptível: estima-se que cerca de 800 navios estejam no Golfo desde o fim de fevereiro, com aproximadamente 600 deles de porte médio a grande. Em 7 de abril, o conjunto de cargas no mar somava 172 milhões de barris de petróleo bruto e refinados, distribuídos entre cerca de 187 petroleiros, de acordo com a Kpler. A região também mantém cerca de 40 navios de transporte de fertilizantes e 15 de gás natural liquefeito (GNL), demonstrando a complexidade logística do corredor.
Um dos passos mais emblemáticos da atual dinâmica envolve o carregamento do fertilizante sólido Prix, com destino à Tanzânia, que parecia prestes a cruzar o estreito, representando o sétimo carregamento de fertilizantes desde o início do conflito. Enquanto isso, Teerã passou a cobrar pedágios para atravessar o Estreito como parte das negociações com Washington, uma proposta que tem sido recebida com cautela pela União Europeia e por analistas internacionais.
As informações, segundo fontes como Bloomberg e o Financial Times, apontam que o custo pode chegar a até US$ 2 milhões por travessia, ou, em outra leitura, a uma cobrança de um dólar por barril de petróleo, pagos em criptomoedas ou yuans. O Irã também tem indicado a necessidade de rotas alternativas devido ao risco de minas, deslocando navios para trajetos menos diretos. A Guarda Revolucionária reforçou que qualquer passagem deve ocorrer sob coordenação com as forças navais iranianas, conforme apontado por empresas de inteligência como Vanguard Tech.
Especialistas apontam que, se o cessar-fogo se manter, as travessias devem oscilar entre 10 e 15 passagens diárias, um ritmo ainda insuficiente para normalizar o trânsito no canal. A dinâmica atual revela um cenário onde a região continua sob tensão, com impactos diretos no comércio mundial de petróleo e commodities. A evolução dependerá, em especial, do alinhamento entre as promessas de liberação do estreito, as sanções econômicas associadas e a capacidade de manter o acordo sem reacender confrontos.
E você, leitor, quais cenários você enxerga para o Estreito de Ormuz nas próximas semanas? Comente abaixo suas perspectivas sobre o equilíbrio entre negociações, tarifas e segurança marítima, e como isso pode afetar o abastecimento global de energia e mercadorias.
