
O Tribunal Superior Eleitoral confirmou nesta quinta-feira a cassação do mandato do deputado estadual Renan Bekel, do Republicanos de Roraima, por compra de votos nas eleições de 2018. A decisão foi unânime e também determina a perda do cargo na Assembleia Legislativa, além de impor uma multa de R$ 53 mil. Bekel já havia resistido a outras decisões por meio de recursos, mantendo-se no cargo até a confirmação final do tribunal. O resultado representa o fechamento de um capítulo sobre irregularidades eleitorais envolvendo o político e reforça o papel do Ministério Público Eleitoral na fiscalização do pleito.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, o esquema funcionava por meio de uma estrutura hierarquizada de “líderes” (cabos eleitorais) e “liderados” (eleitores). Os líderes recebiam em média R$ 250 para organizar grupos e coordenar ações de campanha, enquanto os eleitores ganhavam cerca de R$ 100 por voto registrado a favor de Bekel. A investigação também identificou a prática de montar listas de telefonemas simulando pesquisas de intenção de voto para confirmar o nome do candidato como escolhido pelos eleitores.
As apurações apontam que o esquema movimentou mais de R$ 1 milhão, demonstrando que a estratégia tinha finalidade explícita de obtenção de votos em benefício da candidatura do parlamentar. O vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, afirmou que a natureza do esquema vai além de uma simples ajuda de custo de campanha e que há clara oferta, promessa e entrega de bens para influenciar o voto de um grupo específico de eleitores no período eleitoral.
A decisão do TSE encerra um processo que se arrastava desde 2020, quando a cassação já havia sido hipótese na Justiça de primeira instância em Roraima. Com o veredito, Bekel deixa a Casa Legislativa e o caso ganha relevância como referência para o combate à compra de votos e à utilização de estruturas de cabos eleitorais para influenciar eleições na região.
Neste momento, analistas políticos destacam que o caso pode impactar a credibilidade de campanhas futuras na cidade e reforçar a vigilância de autoridades eleitorais sobre práticas irregulares. Qual é a sua visão sobre esse tema? Deixe seu comentário e participe do debate sobre ética, eleições e responsabilidade pública na sua localidade. Sua opinião ajuda a entender o que está em jogo quando o voto é trocado por favores.
