Desemprego sobe para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, diz IBGE

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Resumo: a taxa de desemprego no Brasil subiu para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, com 6,2 milhões de pessoas buscando trabalho. Ao mesmo tempo, a renda média real atingiu um recorde de R$ 3.679, registro de alta de 5,2% na comparação anual. A população ocupada caiu para 102,1 milhões, queda de 0,8% frente ao trimestre anterior. O desempenho varia por setor, com perdas expressivas em administração pública, saúde, educação e construção, mas ganhos salariais liderados pelo comércio e serviços, que ajudam a manter o cenário de complexidade econômica.

Dados do IBGE, por meio da PNAD Contínua, mostram que a desocupação foi puxada pelo término de contratos temporários em áreas como saúde, educação e construção. O grupo de setores que compõem administração pública, saúde e educação registrou retração de 696 mil postos de trabalho, em linha com o que ocorre no início de ano, quando contratos temporários costumam ser encerrados. O recuo na ocupação ficou ainda mais evidente na construção, com 245 mil vagas a menos, reflexo da menor demanda familiar por obras nos meses iniciais do ano.

Apesar da pressão sobre o mercado de trabalho, o rendimento real dos trabalhadores que estão empregados subiu, alcançando o patamar recorde de R$ 3.679. O ganho de 5,2% na comparação anual reflete, segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas do IBGE, a combinação entre alta da demanda por mão de obra e uma maior formalização em setores como comércio e serviços. O comportamento salarial foi puxado principalmente pelo comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, com alta de 4,1%; pela administração pública, defesa, seguridade social, educação e saúde humana, com 2,9%; e por outros serviços, que registraram ganhos de 11,2%.

Outro dado relevante é o nível de subutilização da força de trabalho, que chegou a 16,1 milhões de pessoas. Esse indicador inclui desempregados, trabalhadores que poderiam atuar mais horas, pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram emprego e aquelas que procuraram, mas não estavam disponíveis para o trabalho. Já a informalidade manteve-se em patamar elevado, embora tenha recuado para 37,5%, influenciada pela queda de postos de trabalho menos formais nos setores de construção, indústria e agricultura.

No lado da carteira assinada, o setor privado manteve estável o número de trabalhadores com registro em carteira, totalizando 39,2 milhões. Esse equilíbrio é importante para a formação de renda e para a consolidação de vínculos formais, mesmo diante de oscilações no desemprego e na subutilização. O saldo geral indica um mercado de trabalho com desafios significativos, mas com sinais de endurecimento da renda real entre quem permanece empregado, impulsionado pela demanda por serviços, pelo processo de formalização e pela composição setorial da economia.

Analisando o cenário, especialistas apontam que, apesar da alta recente do desemprego, a taxa permanece baixa para padrões históricos e pode indicar resistência econômica moderada. A atuação do governo, políticas de incentivo ao emprego formal e a dinâmica de consumo devem acompanhar os próximos meses, especialmente em setores com maior geração de renda, como comércio e serviços. A tendência de recuperação depende de fatores como inflação controlada, demanda interna estável e continuidade na criação de vagas formais.

E você, o que tem percebido no mercado de trabalho da sua cidade? Compartilhe nos comentários como tem sido a busca por emprego, a evolução da renda e os setores que têm chamado a sua atenção. Sua opinião ajuda a entender as mudanças reais que estão ocorrendo no Brasil.

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