Favorita à presidência do Peru, Keiko Fujimori promete expulsar imigrantes e aproximar-se dos EUA

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Resumo: Keiko Fujimori lidera as intenções de voto nas eleições presidenciais do Peru e defende uma linha dura contra a imigração irregular, além de buscar um reforço da relação com os Estados Unidos e ampliar a presença de governos de direita na América Latina. Em entrevista à AFP, a candidata promete “recuperar a ordem” nos primeiros 100 dias, caso chegue ao poder, em um país marcado pela violência e pela instabilidade política. O panorama internacional também aparece: o presidente dos EUA, Donald Trump, procura aliados para conter a influência da China na região, enquanto Peru figura entre os maiores receptores de investimentos chineses na América Latina.

Perfil e histórico: filha do ex?governante Alberto Fujimori, Keiko concorre pela quarta vez à presidência. Ela apresenta uma agenda centrada no combate à criminalidade e na defesa de políticas de tolerância zero à imigração irregular, argumentando que a ordem interna é a base para o crescimento econômico. Em 50 anos, a candidata tem apresentado propostas firmes para retomar o controle das fronteiras, aumentar a segurança e promover o desenvolvimento, buscando articular-se com parcelas da população que se sentem desamparadas pela violência e pela instabilidade institucional.

No cenário eleitoral, pesquisas de boca de urna indicam que Keiko mantém vantagem expressiva, com mais de 16% de apoio, abrindo caminho para um possível segundo turno em 7 de junho, desde que as simulações se confirmem. A candidata afirma que sua missão é estimular os Estados Unidos a reativar a participação na economia peruana, reforçando laços comerciais e de cooperação com o governo norte?americano para enfrentar os desafios econômicos e de segurança que afetam o país.

Relações com os EUA e a região: o atual presidente dos Estados Unidos busca consolidar alianças para recuar a influência da China na América Latina. O Peru figura como um polo estratégico, dada a sua posição geográfica e o fluxo de investimentos chineses na região. Entre 2005 e 2025, a China investiu pelo menos US$ 29 bilhões no Peru, posição que consolida a importância do Peru no mapa econômico regional e complica o cenário para políticas de maior abertura ao capital externo, dependendo do governo em poder.

Keiko descreve a ascensão de lideranças de direita na região — como Javier Milei, em Argentina; José Antonio Kast, no Chile; Daniel Noboa, no Equador; e Rodrigo Paz, na Bolívia — como um movimento de recuperação de liberdades, investimentos e maior controle sobre a segurança pública. Ela sustenta que há lacunas a serem preenchidas pela cooperação regional, destacando a necessidade de exemplos de “ordem” que possam facilitar o crescimento econômico e a consolidação de instituições estáveis.

Desafios internos e propostas controversas: a crise política peruana persiste, com oito presidentes em uma década. Keiko se propõe a ser conciliadora, reconhecendo que erros ocorreram e que o diálogo precisa prevalecer para gerar consensos. Entre as propostas polêmicas, a líder sugere aprovar no Congresso medidas para enviar militares às prisões, além de instalar tribunais com “juízes sem rosto” para julgar infrações, herança de políticas associadas ao governo de Alberto Fujimori, falecido em 2024. A própria Keiko destaca a memória do pai como parte de um legado que, segundo ela, trouxe ordem e crescimento econômico, e afirma ter evoluído para valorizar o diálogo com diferentes setores da sociedade.

Imigração e a realidade da população no Peru: a grande maioria da imigração estrangeira no Peru é venezuelana, somando cerca de 1,6 milhão de pessoas, das quais 14% não possuem residência regular. A candidatura tem mostrado disposição para expulsar cidadãos sem documentação e explorar a possibilidade de um corredor humanitário para permitir o retorno daqueles convocados a deixar o país. Essas propostas, associadas à retórica de endurecimento, encontram resistência e geram debates sobre direitos humanos, justiça e impacto social para as comunidades locais — incluindo moradores e regiões que recebem grande fluxo migratório.

Caminho político e legado familiar: o Peru vive uma crise de governança, com uma alternância rápida de lideranças e dificuldades para manter políticas consistentes. Keiko, que já disputou a presidência em 2011, 2016 e 2021, busca se apresentar como a figura capaz de restabelecer a ordem, ao mesmo tempo em que se esforça para manter um canal de diálogo com diversos setores para alcançar consensos. O debate sobre o legado de Alberto Fujimori — que governou o Peru entre 1990 e 2000, enfrentando críticas por violações de direitos humanos e corrupção — continua presente na agenda pública, ainda que o foco principal hoje seja a resposta às crises atuais e a direção que o país deve tomar à frente das eleições.

À medida que as eleições se aproximam, a expectativa é de que o Peru escolha um caminho entre urgência de segurança, abertura econômica, e a busca por estabilidade institucional em meio a um cenário regional cada vez mais polarizado. Os próximos dias devem clarificar as prioridades dos eleitores e o desenho de políticas que moldarão o futuro da relação entre Peru, Estados Unidos e seus parceiros na região. Quais caminhos você acha que o Peru deveria seguir para enfrentar a crise e promover o desenvolvimento sustentável sem abrir mão dos direitos e da dignidade de seus cidadãos?

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