Direito à ancestralidade por exames genéticos para a população negra

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: uma história que cruza Brasil, África e direitos civis mostra como reconhecer a ancestralidade pode abrir caminhos de pertencimento e equidade. Do resultado de um teste de DNA à viagem ao Benim, até a promessa de uma lei que amplia o acesso ao reconhecimento, o tema ganha força entre moradores da cidade.

No Brasil, o apagamento histórico da escravidão não foi acaso. Em 1890, Rui Barbosa ordenou a destruição de documentos que ligavam nomes, territórios e famílias. Não foi apenas papel queimado: foi memória interditada, uma nação que escolheu não saber a origem negra que ajudou a moldar a sociedade.

Decidi fazer o teste de ancestralidade por acesso a uma tecnologia ainda restrita para muitos. O resultado apontou para o Benim, levando-me a Abomey, antiga capital do Reino do Daomé. Não era turismo; era reconhecimento. Caminhar por aquelas ruas ajuda a entender que minha história não começa na violência — ainda que a violência tenha feito parte do caminho.

No Rio de Janeiro tramita a Lei n° 9.365/2026, de autoria do vereador Felipe Pires, que garante o direito à ancestralidade por meio de exames de DNA para pessoas negras. O objetivo é ampliar o acesso e promover equidade, reconhecendo que esse caminho de autoconhecimento não deve permanecer privilegio de poucos. Mas o DNA não resolve tudo: não devolve nomes, não reconstrói árvores genealógicas completas nem define identidade. Identidade é experiência, vivência e construção social. Negar o acesso seria manter a desigualdade.

A lei, portanto, não é ponto de chegada. É abertura. Ela precisa vir acompanhada de educação, de revisão curricular, de valorização das histórias africanas e afro-brasileiras, de expansão de repertório. Porque de nada adianta saber que há uma conexão com o Benim, com Angola ou com o Congo, se isso não se transforma em consciência, em pertencimento, em potência.

É impossível seguir sem olhar para trás, não como nostalgia, mas como ferramenta de reconstrução. Quando reconhecemos nossa origem de forma responsável, abrimos espaço para que mais pessoas atravessem esse caminho sem privilégios e para que a identidade seja construída com dignidade e verdade.

Meta descrição: este relato aborda a importância da ancestralidade, do DNA e da educação para ampliar o reconhecimento da história afro-brasileira, destacando a lei 9.365/2026, o retorno ao Benim e a busca por equidade na cidade.

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