Gakiya: PCC e CV como terroristas podem gerar grave efeito colateral

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: O governo dos Estados Unidos classificará o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras, com validade a partir de 5 de junho. A medida, alinhada à postura do presidente Donald Trump de endurecer o combate ao crime transnacional, pode trazer sanções econômicas e complicar a cooperação com autoridades brasileiras, além de levantar questões sobre soberania.

O Departamento de Estado anunciou em 28 de maio a inclusão das duas facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras, como parte da estratégia de intensificar a luta contra o crime organizado e o narcotráfico. A designação amplia o peso jurídico contra o PCC e o CV, com impactos diretos em fluxos financeiros e parcerias entre agências de segurança.

Lincoln Gakiya, promotor do Gaeco do Ministério Público de São Paulo, que acompanha o PCC há 20 anos, alerta para riscos relevantes. Segundo ele, sanções econômicas podem atingir pessoas, empresas e instituições financeiras ligadas às organizações, mesmo fora dos Estados Unidos, atrapalhando a cooperação internacional em investigações.

Além disso, há a possibilidade de tratar o tema como defesa nacional, não apenas como caso policial. Com essa mudança, a CIA poderia desempenhar papel central, e informações poderiam ganhar status de sigilo, dificultando a troca rápida de dados entre Brasil e EUA, conforme aponta Gakiya.

Gakiya lembra ainda da cooperação já consolidada com autoridades americanas, como FBI e DEA, para investigações de atuação internacional da facção. Ele ressalta que, se as informações passarem a ficar sob o guarda da inteligência, esse modelo de parceria pode sofrer prejuízos.

Sobre a soberania brasileira, o promotor aponta que a legislação dos EUA permite ações contra organizações classificadas como terroristas fora de seu território. Ele sustenta que medidas desse tipo podem levar a ações secretas sem a anuência de Estados estrangeiros, impactando a soberania nacional.

O Departamento de Estado confirmou a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de FTOs a partir de 5 de junho, como parte da estratégia de endurecimento do governo. E você, qual o seu entendimento sobre esse movimento e seus efeitos para a cooperação internacional? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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