PF investiga grife Prada por falhas em alerta de lavagem no caso MC Ryan

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: a Polícia Federal deflagrou a Operação Narco Fluxo, desmantelando uma rede de lavagem de dinheiro associada ao movimento do MC Ryan SP. A ação envolve prisões, buscas, apreensões e bloqueios de ativos, com indícios de movimentação de recursos bilionários entre o Brasil e o exterior. Entre os alvos está a Prada Brasil, que, segundo a PF, teria ignorado alertas de órgãos de controle.

A operação mobilizou mais de 200 agentes da PF e cumpriu 45 mandados de busca e apreensão, além de 39 prisões temporárias. As ações ocorreram em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal. A PF estima que o grupo tenha movimentado mais de 260 bilhões de reais, com medidas de constrição patrimonial para interromper atividades ilícitas e preservar ativos para possível ressarcimento.

No foco da investigação, Lucas Felipe Silva Martins, de 24 anos, morador de Bauru, foi apontado como laranja do esquema. Ele recebia cerca de 182,3 mil reais entre abril e agosto de 2024 da produtora do MC Ryan SP, mesmo tendo um MEI com capital de apenas 6 mil. Entre julho e dezembro de 2024, Martins gastou 196 mil reais na Prada, sendo 126,8 mil pagos via Pix. A PF classifica-o como “testa de ferro” na lavagem de capitais vinculada ao grupo.

A Prada Brasil é mencionada por supostas falhas de alerta: a operadora Adyen gerou sinais de extrema incompatibilidade entre o perfil do comprador e o consumo de luxo feito pela marca. A investigação aponta que a grife teria ignorado esses alertas, permitindo a formalização das compras suspeitas. A Prada já foi multada anteriormente pelo Coaf por descumprir regras de identificação de clientes e comunicação de operações suspeitas.

Além da Prada, os investigadores destacam aquisições de alto valor por outras marcas de luxo, como Balenciaga, e gastos com veículos de marcas como Porsche, Ferrari e Tesla, bem como joias. A PF aponta que a produtora de MC Ryan pagou cerca de 300 mil reais a uma joalheria para transformar liquidez em bens de alto valor, prática comum na tentativa de blindagem patrimonial.

As autoridades também decretaram o bloqueio de até 2,2 bilhões de reais em bens de 77 alvos, bem como a restrição de atividades societárias, com o objetivo de interromper a prática criminosa e assegurar recursos para eventual ressarcimento. A investigação segue para esclarecer acusações de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, envolvendo o núcleo de pessoas ligadas ao grupo e empresas parceiras.

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