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Servidora exonerada do Itamaraty após banca rejeitar autodeclaração racial diz temer futuro em Brasília

Servidora exonerada do Itamaraty após banca rejeitar autodeclaração racial diz temer futuro em Brasília
Servidora exonerada do Itamaraty após banca rejeitar autodeclaração racial diz temer futuro em Brasília

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Resumo: A internacionalista Flávia Medeiros, 29 anos, foi exonerada do Itamaraty após a banca de heteroidentificação rejeitar sua autopartição como negra. Nomeada recentemente como secretária-adjunta do Comitê Étnico-Racial, a disputa jurídica expôs o impacto de critérios de identificação racial na carreira pública.

Flávia ocupava o cargo de oficial de chancelaria há dois meses, após aprovação em concurso público, mas a exoneração ocorreu depois que sua autodeclaração como mulher parda foi rejeitada pela banca de heteroidentificação do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos.

Ela afirma que sempre se identificou como negra e critica a ideia de que uma banca possa definir quem é ou não discriminado. “O racismo no Brasil é perverso e muitas vezes velado. As experiências de discriminação não acontecem de forma uniforme”, declarou à Folha de S. Paulo.

O Itamaraty, segundo Flávia, já a reconheceu etnicamente ao escolhê-la para integrar o Comitê Étnico-Racial da instituição, na função de secretária-adjunta.

A banca avaliadora afirmou que ela apresentava “pele clara, cabelos lisos e traços finos”. Após esgotar os recursos administrativos, a Justiça autorizou a posse, mas, em segunda instância, a decisão foi anulada, entendendo que a medida deveria apenas assegurar a continuidade no concurso, não a nomeação ao cargo.

Com a nova decisão, Flávia acabou exonerada do posto. A mudança para Brasília, após deixar um emprego estável em Vitória, agravou a situação financeira da família, que acompanha o desfecho do processo na Justiça Federal.

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