Só se ganha eleição com o voto dos outros. Daí o pragmatismo de Lula

Escrito por: Diógenes Cunha

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Lula chega à cena internacional com uma leitura de Realpolitik, buscando alianças estratégicas até com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos a partir de janeiro de 2025, para avançar prioridades do Brasil. A viagem a Washington será um teste claro de sua capacidade de negociação, equilibrando a agenda de esquerda com resultados práticos no cenário global.

Da origem no ABC paulista, metalúrgico, à função de líder político, a trajetória dele é pautada pela negociação. Em 1980, sob a ditadura, teve o mandato cassado no sindicato, mas continuou atuando, mesmo que às escondidas, para defender a pauta da categoria, mantendo contatos com o então ministro Murilo Macedo. Dizem que acabou aproximando-se do delegado que o prendeu, Romeu Tuma, revelando uma prática de jogar dentro das regras do momento.

No Congresso, Lula mostra que a política é um tabuleiro de trocas. O Senado barrou Jorge Messias para ministro do STF? Em oito dias, Lula já buscava abrir portas, estendendo a mão a Davi Alcolumbre, quem hoje segura as chaves do Senado. Alcolumbre fez jogo duro, mas Lula aposta na paciência e na negociação, não em confrontos de primeira hora.

A viagem a Washington representa o maior teste dessa estratégia de convivência entre posições distintas. Enquanto o Centrão observa, Lula sabe que o Brasil não pode fechar portas à maior economia do mundo. A conversa com Trump não é sobre alinhamento ideológico, mas sobre encontrar denominadores comuns em comércio, meio ambiente, geopolítica e segurança pública — uma leitura de Realpolitik, não de bravata.

O que se desenha com o chamado “Lula de 2026” é uma versão mais contida do negociador de 1980: mais velho, mais cansado, mas ainda pronto para jogar o jogo até o último minuto. Radicalismo fica para os palanques; o objetivo real é sobreviver ao cenário político de Brasília, mantendo portas abertas para quem pensa diferente e garantindo espaço para o Brasil no palco mundial.

E você, leitor? Como entende esse estilo de governar de Lula, entre diálogo e pragmatismo? Deixe seu comentário, compartilhe sua visão e conte o que acha que deve guiar as relações do Brasil nos próximos meses.

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