Enquanto EUA mira PCC, PF prende militantes do Estado Islâmico no Brasil

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Enquanto o governo dos EUA, sob Donald Trump, classifica determinadas organizações como terroristas, o Brasil enfrenta de fato extremistas atuando no país, movidos por motivações religiosas ligadas ao Estado Islâmico e ao Boko Haram. Em cinco meses, quatro operações sigilosas da Polícia Federal prenderam cinco suspeitos e realizaram buscas em outros dois, revelando um cenário de terrorismo doméstico muito real. Desde 2016, já são 32 inquéritos que identificaram o crime de terrorismo, com pelo menos uma condenação. A maior parte dos casos ocorreu entre 2023 e 2026, principalmente durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, envolvendo, em sua maioria, chamadas “lobo solitário” que chegam a comprar armas, explosivos e outros insumos para ataques no Brasil.

Entre dezembro de 2025 e abril de 2026, as ações da PF foram destacadas por prisões em Curitiba (PR) — um brasileiro envolvido na preparação de explosivos — e por buscas em Itaguaí (RJ) e Angra dos Reis (RJ) ligadas a um policial militar e a um estudante de medicina. Também houve a prisão, em Bauru (SP), de um jovem de 18 anos recrutado por redes extremistas. Em abril de 2026, três estrangeiros árabes foram detidos em São Paulo: um tunisiano com nomes falsos que veio do Mali, e um casal egípcio e marroquino que acabou liberado. A operação teve o codinome “Sleeping cell”.

 Tunisiano sequestrou adolescente para financiar ataques terroristas, diz juíza
Tunisiano com 531 grafias de nomes chegou da “nova sede” do EI e foi preso no Brasil

Apesar da visibilidade, a PF mantém o silêncio. O objetivo não é a divulgação institucional, dizem agentes, pois tornar as operações públicas pode estimular mais lobos solitários a aderirem a causas extremistas, buscando notoriedade. Em diários de comunidades on-line ou fóruns, brasileiros e estrangeiros trocam informações sobre como adquirir armas, fabricar explosivos ou infligir violência, deixando claro que o extremismo segue ativo na rede e no país.

O histórico recente também inclui casos anteriores: em 2024, a PF prendeu um recrutador de jovens terroristas que, minutos antes de ser detido, havia ameaçado o presidente Lula em um canal de fórum extremista. Um estudante universitário de 44 anos, Thiago Barboza da USP, foi condenado em 2025 a 11 anos por atos preparatórios ao terrorismo e associação ao Estado Islâmico e ao Boko Haram; recentemente, o tribunal reduziu a pena para oito anos, absolvendo-o de outro crime, e determinando regime semiaberto. A defesa recorreu.”

Outro ponto de preocupação foi o recrutamento de adolescentes. A PF aponta que Barboza também recrutou Leandro Claro Telles, de 16 anos, em um canal do fórum. Em janeiro de 2026, já com 18 anos, Leandro foi preso em atuação que envolve terrorismo e foi colocado como réu. A defesa pediu avaliação de sanidade mental, enquanto a família diz não ter interesse em entrevistas, mantidas sob reserva.

Em dezembro, a Polícia Militar do Rio de Janeiro também foi alvo de suspeitas de envolvimento com grupos extremistas. Em Itaguaí, buscas foram feitas em um soldado da corporação e em um estudante de medicina — ações motivadas por dados de redes sociais. A Secretaria de Segurança Pública do estado informou que houve processo administrativo disciplinar e que o caso é tratado como grave, dadas as funções de alto calibre que o militar desempenharia caso haja qualquer envolvimento com ataques.

Caso emblemático de maior gravidade envolve o tunisiano Mohamed Montasssar Mannai, de 39 anos, que chegou ao Brasil com documentos falsos após atravessar a fronteira paraguaia oriundo do Mali. Investigadores afirmam que ele integra uma célula adormecida do EI, com alta periculosidade, ligada a sequestrações na Turquia para financiar ataques. A Interpol emitiu ordem de prisão, e o governo da Tunísia forneceu dados biométricos para confirmar a identidade, diante de inúmeras grafias de seu nome — 531 variantes já registradas. A juíza Angélica Carrard Benites, da 5ª Vara Federal de Novo Hamburgo (RS), manteve a prisão de Mannai, destacando a natureza operacional de células adormecidas no enfrentamento internacional ao terrorismo.

E você, o que pensa sobre esses ataques e as respostas das autoridades? Deixe seu comentário, compartilhe sua opinião e debata de forma responsável como fortalecer a segurança sem abrir mão de direitos e liberdades.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Cartão Top: organograma expõe teia bilionária da autocontratação em SP

Um organograma obtido pelo Metrópoles revela que a Autopass, empresa responsável pelo Cartão Top, está no centro de uma teia de holdings ligadas...

Desejo de doar órgãos cresce e salva vidas em MG: “Chegou meu momento”

Resumo: Em Minas Gerais, a doação de órgãos ganha agilidade com a autorização eletrônica em cartório. Mais de 2 mil mineiros já registraram...

Michelle diz que apoiará candidatura de Flávio Bolsonaro “no momento certo”

Resumo: Michelle Bolsonaro afirmou que pode apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência no “momento certo”, mas hoje a prioridade é a...