Um homem de 49 anos morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas, no Distrito Federal, enquanto aguardava atendimento. Horas antes, Vilmar da Silva relatou a um grupo de evangelização que não comia há cerca de 15 dias.

Às vésperas da morte, o grupo de evangelização, formado por Daniel Fernandes e a noiva dele, atuava na região com ações sociais que incluem distribuição de caldos e abordagem a pessoas em situação de vulnerabilidade. Foi nesse contexto que Vilmar foi encontrado e passou a conversar com eles.
Daniel relatou que Vilmar contou já estar sem se alimentar há 15 dias e, durante a conversa, recebeu um caldo oferecido pelo grupo. “A gente conversa, sente a história de cada pessoa que a sociedade muitas vezes passa de lado”, disse. O grupo disse que atua periodicamente, levando comida e palavras de apoio a quem está nas ruas.
O voluntário acrescentou que Vilmar tinha duas filhas e era casado, mas a decepção o levou às ruas. “Tem uma frase que me marcou: no coração dele não tinha mais mágoa; guardar mágoa só traria mais prisões”, afirmou, ressaltando a importância de manter a empatia mesmo diante da dor.
Entenda o caso, segundo testemunhas: alguns pacientes teriam se posicionado na frente do corpo para evitar a remoção antes da chegada da polícia. Uma enfermeira presente teria verificado o pulso e confirmado o óbito, mas houve contestação de outro profissional. O caso foi encaminhado ao Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), que informou que vai apurar as circunstâncias da morte. A vítima não possuía ficha de atendimento aberta na unidade no dia do ocorrido; os profissionais da UPA teriam feito avaliação imediata e constatado a ausência de sinais vitais, e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) foram acionadas para os procedimentos legais.
O Iges-DF afirmou que permanece à disposição das autoridades para esclarecimentos e que está acompanhando o desfecho oficial do caso, que envolve a atuação de equipes de saúde e a situação de pessoas em situação de rua na capital.
E você, o que pensa sobre esse episódio envolvendo atendimento de emergência e ações de assistência social? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre cuidado, dignidade e políticas públicas para quem vive nas ruas.
