Como funcionava venda de sentenças com desembargador e deputado

Escrito por: Diógenes Cunha

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A Polícia Federal deflagrou a Operação Gemini para investigar um possível esquema de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, envolvendo intermediários, transações imobiliárias e movimentações financeiras usadas para ocultar a origem do dinheiro. Entre os alvos estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos, o deputado Faissal Calil (PL) e o advogado Bruno Oliveira Castro.

A PF aponta que o caso envolve um elo entre os interessados e o magistrado, com Castro atuando como interlocutor e Calil sendo investigado por suposta participação em operações financeiras e negociações patrimoniais que dariam aparência de legalidade aos recursos.

A PF apura se vantagens indevidas eram repassadas por meio do pagamento de dívidas familiares, negociações imobiliárias e outras operações financeiras realizadas por pessoas próximas ao magistrado.

O desdobramento envolve ainda buscas, quebras de sigilo e apreensões durante a operação deflagrada nesta segunda-feira (8/6).

A investigação aponta que o dinheiro sujo poderia ter sido camuflado por meio de negócios paralelos, incluindo negociações imobiliárias e uso de intermediários para keeping a aparência de legalidade. Além disso, a PF observa que, durante as apurações, houve a apreensão de itens de alto valor, como relógios de luxo da marca Rolex, armas de fogo e canetas de alto custo.

Dirceu dos Santos já estava afastado do cargo por decisão do CNJ. Em março deste ano, a Corregedoria Nacional apontou indícios de que o magistrado teria proferido decisões mediante possível recebimento de vantagens indevidas com a atuação de terceiros.

A análise bancária também apontou mais de R$ 3,2 milhões em depósitos e saques em espécie considerados suspeitos pelos investigadores.

As apurações indicam que empresas ligadas ao agronegócio, com processos no TJMT, realizaram transferências para investigados sem justificativa comercial identificada até o momento.

O CNJ também identificou uma movimentação patrimonial de aproximadamente R$ 14,6 milhões em cinco anos, valores que não batem com a renda oficialmente declarada. Em 2023, a diferença entre a evolução patrimonial e a renda formal recebida teria ultrapassado R$ 1,9 milhão. As defesas dos citados não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.

A apuração segue em curso, com novas informações sendo apuradas pela PF para esclarecer a origem dos recursos e as ligações entre os envolvidos. Deixe seu comentário com sua leitura sobre o caso e o que você acha que precisa ser esclarecido para entender melhor o que está em jogo.

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