Ex-servidora acusa defensor público de tentar beijá-la à força em velório

Escrito por: Diógenes Cunha

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O defensor público Rogério Borges Freitas, 1º Subdefensor Público-Geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, está no centro de novas denúncias de assédio moral e sexual, após afastamento cautelar. Documentos obtidos pela coluna indicam que uma segunda mulher o denunciou em junho, descrevendo investidas físicas e verbais ocorridas dentro da instituição.

Em depoimento de 1º de junho, a ex-servidora relatou que Rogério se aproveitou de um momento de vulnerabilidade emocional. Ela contou que, depois de um velório em 2023, ele a acompanhou de carro por mais de uma hora e, ao estacionar em local isolado, tentou beijá-la à força; ela conseguiu evitar.

A servidora também informou que o defensor fazia comentários sobre aparência e mantinha contatos físicos invasivos, como segurar ou acariciar as mãos, além de lembrar que sua permanência no cargo dependia de sua influência na Defensoria. Após resistir, suas atribuições teriam sido gradualmente reduzidas e faltas registradas de forma indevida; a exoneração ocorreu em fevereiro de 2024.

Outro conjunto de denúncias, envolvendo quase uma década, aponta para importunação sexual e constrangimento ilegal. Segundo documentos, episódios começaram em janeiro de 2017 com carona oferecida e contato dentro de um veículo; em 2018, Rogério chamou a servidora para atividades no gabinete e leu trechos da Bíblia; em 2019, teria elevado o tom de voz e humilhado a servidora ao exigir tarefas para as quais ela não tinha qualificação.

Durante reunião em março deste ano, ele afirmou que a servidora possuía um “espírito faccioso” e pediu submissão.

“Você é uma pessoa maravilhosa, extraordinária, mas tem uma língua grande. Senta, faz teu serviço e não comenta nada com ninguém”, disse o defensor.

Em seguida, orientou que aceitasse as determinações da chefia.

Em outra passagem, leu trechos do Evangelho de Mateus e afirmou que “a boca fala do que o coração está cheio”; questionou se a vítima conseguiria perdoar o superior.

“Receba a ordem dele. Não tenha uma postura de adversidade… Procura manter a submissão ali.”

Em meio às denúncias, a Defensoria Pública-Geral divulgou, em 13 de maio, portaria que afastou cautelarmente Rogério de suas atribuições por 60 dias, para as investigações. A Defensoria informou que o servidor será exonerado do cargo de chefia. A Polícia Civil confirmou que as investigações estão em curso na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, com sigilo e sem outros detalhes.

As apurações seguem com celeridade e imparcialidade, segundo as autoridades. Enquanto isso, o tema reacende debates sobre ambiente de trabalho, respeito institucional e a proteção às vítimas. Qual é a sua opinião sobre as denúncias e as medidas adotadas pelas instituições? Compartilhe nos comentários e participe da discussão.

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