Letras financeiras vencem, e Banco da Amazônia toma calote do Master

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Resumo objetivo: o Banco da Amazônia (Basa) informou ter adquirido letras financeiras emitidas pelo Master, num total de aproximadamente R$ 39 milhões, cuja devolução venceria em dois anos com juros prometidos em torno de 122% do CDI. O Master foi alvo de liquidação determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado e últimas letras não tiveram pagamento na sexta-feira passada, 5 de junho.

Agência do Banco da Amazônia

Entre 2023 e 2024, o Master vendeu R$ 1,867 bilhão em letras de crédito a Regimes Próprios de Previdência (RPPS) e outros R$ 39 milhões ao Basa, que, segundo a instituição, prometia retornos muito acima do mercado.

As letras compradas pelo Basa tinham vencimentos em dois anos; o Master, porém, chegou a oferecer títulos com durações de até 10 anos para RPPS municipais, enquanto a operação com o Basa envolvia prazo menor. A última dessas letras venceu na última sexta-feira, sem pagamento, ampliando as dificuldades de recuperação.

Dados do Basa indicam que 94% de seus títulos privados estão ativos em emissores com rating entre AAA e A. Ainda assim, em 2024 o Basa adquiriu R$ 39 milhões em letras sem garantia do Master, quando o emissor possuía rating BBB. A tesouraria do Basa afirma que a exposição ao Master representa menos de 0,19% do seu portfólio, que soma cerca de R$ 20,3 bilhões sob gestão, e que já adotou providências administrativas e jurídicas para resguardar seus créditos.

Outros players já provisionaram perdas totais. RPPS municipais de São Roque (SP), Araras (SP) e Cajamar (SP) divulgaram contas com zero expectativa de recuperação. Enquanto o Basa viu o Master operar com vencimentos mais curtos, os RPPS municipais trabalhavam com títulos com pagamentos programados para 2033 em diante. Em algumas situações, a Justiça chegou a conceder liminares para tentar recuperar parte de recursos investidos, como no caso da Rioprev, que administrava R$ 970 milhões entre 2033 e 2034; porém, as decisões na cidade do Rio de Janeiro e em Cajamar foram negativas para as medidas de indisponibilidade de bens.

A situação evidência o risco associado a letras financeiras sem garantia, reforçando a posição de credores quirografários em casos de inadimplência. Além disso, mostra como a liquidação de emissores pode estender impactos para RPPS e bancos que detêm exposição indireta a esses títulos.

E você, o que acha dessa trajetória de letras de crédito privadas sem garantias? Comente abaixo como enxerga os riscos desses investimentos para fundos de previdência e para bancos. Sua opinião é importante para entender os efeitos reais desse tipo de operação no mercado.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Vídeo registra ação da PM que resultou na morte de jovem com 27 tiros em São Paulo

Resumo jornalístico Madrugada de sábado, tiroteio entre policiais da PM-SP e um suspeito na Zona Sul de São Paulo resulta na morte de Gustavo...

TJ-BA condena imobiliária a indenizar casal por rescisão unilateral

Resumo jornalístico – TJ-BA, 3ª Câmara Cível, mantém decisão que condena incorporadora a indenizar em R$ 10 mil casal após rescisão unilateral de...