Empresário baiano vive aventura na Ucrânia em meio à guerra após perder passaporte durante pesquisa sobre dinheiro digital

Escrito por: Diógenes Cunha

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O empresário baiano Gustavo Kelsch Ramos, fundador da fintech Klipbit, transformou uma viagem de pesquisa sobre o uso de moedas digitais na Ucrânia em uma verdadeira aventura de resiliência. Morando em Paris há mais de uma década, ele chegou a Lvov em junho de 2026 para entender como criptomoedas como USDC, conectadas ao sistema de pagamentos PIX, ganham espaço em um país em conflito. A experiência foi além de negócios: envolveu fronteiras, documentos e uma corrida para retornar ao Brasil.

A proposta era comparar a adoção de ativos digitais em um ambiente de guerra com outros mercados, avaliando se a Ucrânia flexibilizou regras para facilitar pagamentos digitais diante do pressionado sistema bancário. Gustavo acompanhou de perto a evolução de políticas públicas em tempo real, buscando insights que pudessem orientar o desenvolvimento da Klipbit, que já trabalha para integrar USDC ao PIX.

AS RUAS DE LVIV

Em Lvov, Gustavo testou na prática a troca de criptomoedas por dinheiro local, entrando em uma casa de câmbio comum, como qualquer turista. Ele trocou 100 dólares pela moeda ucraniana, a Rivnia, com uma taxa de 1,20%, e ficou impressionado com a simplicidade da operação, inclusive com a aceitação de USDT. Também percebeu que, embora a Klipbit opere principalmente na rede Solana, no país em guerra as transações eram majoritariamente feitas pela Tron, o que o obrigou a adaptar seus recursos para sacar dinheiro.

O PASSAPORTE E A FROTA DE RECUOS

A viagem ganhou contorno dramático quando Gustavo perdeu o passaporte no restaurante de Lvov. Com o visto Schengen já vencido, não restava voltar pela Polônia sem enfrentar sanções migratórias. Sem alternativas, ele cruzou cerca de dez horas de trem até Kyiv, usando vagões de estilo soviético, e conseguiu atendimento rápido na Embaixada do Brasil, com um novo passaporte emitido em tempo recorde. A partir dali, a missão mudou de rumo para Moldova para retornar ao Brasil.

MOLDÁVIA, FRONTEIRAS E UMA NOITE TENSO

De Kyiv seguiu para a fronteira com a Moldávia durante a madrugada. O novo passaporte, sem carimbo de entrada ou saída, levantou suspeitas, e as autoridades moldavas chegaram a negar a passagem. Sem opção, Gustavo comprou uma passagem aérea de emergência ali mesmo e só então recebeu autorização para seguir, partindo de Chisinau para Istambul e, por fim, retornando ao Brasil, chegando a Salvador.

SENSAÇÕES E ENSINAMENTOS

Mesmo diante dos percalços, o relato de Gustavo enfatiza o que mais o marcou: a população mantendo a rotina em meio ao conflito. Nas ruas de Lvov há sinais de normalidade, como festivais de cerveja, enquanto militares fazem checagens de recrutamento, refletindo a rotina de uma cidade em constante adaptação. Do lado técnico, a viagem revelou a importância de integrar diferentes tecnologias financeiras e a capacidade de adaptação de um povo que segue trabalhando e reconstruindo a vida, mesmo após o impacto da guerra.

E você, o que acha do uso de criptomoedas em zonas de conflito e da adaptação de sistemas financeiros a situações extremas? Compartilhe sua opinião nos comentários — sua visão ajuda a enriquecer o debate sobre inovação, política e economia em tempos de crise.

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