The Economist: Pix ameaça domínio dos EUA no setor de pagamentos

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: A análise da revista The Economist aponta que o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, exemplifica a fragmentação do sistema financeiro global e o desafio ao domínio dos EUA. Países ao redor do mundo aceleram a busca por soluções de pagamento próprias, sob controle nacional, sinalizando uma nova fase da geopolítica financeira, na qual a soberania dos estados redefine relações entre bancos, varejo e usuários.

Ricardo Stuckert / PR
The Economist: Pix ameaça domínio dos EUA no setor de pagamentos

A matéria afirma que sistemas como o Pix representam uma nova etapa na geopolítica financeira mundial, com potencial de desafiar o domínio de grandes empresas norte-americanas, como Visa e Mastercard, ao incentivar soluções nacionais de pagamento.

A reportagem destaca que o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, criticou o Pix e sugeriu até tarifas de 25% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de práticas comerciais desleais.

No Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu a narrativa: segundo ele, as próprias operadoras já reconheceram que o Pix não prejudica a concorrência, e documentos apresentados às autoridades americanas comprovam essa posição. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido publicamente a soberania do Pix e do Sistema Financeiro Nacional.

Enquanto isso, o ex-presidente Flávio Bolsonaro destacou o Pix como instrumento de autonomia, contudo sinalizou que o Brasil pode discutir a integração com redes americanas, como o Zelle, desde que não comprometa a soberania nacional.

A Europa e a Ásia também aceleram movimentos para manter sob controle as infraestruturas de pagamento digital. Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), defende que os países preservem a soberania sobre pagamentos digitais. O BCE já trabalha no euro digital e na carteira Wero, buscando interoperabilidade entre sistemas nacionais. A China, por sua vez, amplia a atuação do yuan digital, enquanto a Índia já opera seu sistema em nove países, por meio de acordos bilaterais.

Apesar do acento na soberania, a publicação ressalta que o aumento de sistemas não compatíveis entre si pode elevar riscos de fraude e reduzir a eficiência de pagamentos internacionais. Ainda assim, aponta que, ao pressionar parceiros comerciais, os EUA acabam acelerando a independência de sistemas financeiros globais e preservando sua influência ao mesmo tempo.

E você, vê esse movimento como avanço da autonomia financeira ou como potencial complicação para o comércio global? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa.

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