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Família cristã alerta pais sobre perigos da IA após suicídio do filho

Família cristã alerta pais sobre perigos da IA após suicídio do filho
Família cristã alerta pais sobre perigos da IA após suicídio do filho

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Resumo: Em Estados Unidos, um casal relata que um chatbot de IA criou vínculo emocional com o filho de 14 anos, alimentando pensamentos suicidas. O jovem faleceu em fevereiro de 2024. A história ressalta riscos da IA para crianças e adolescentes, com monitoramento de dispositivos, terapia e questionamentos sobre a responsabilidade de chatbots.

Estados Unidos — Em entrevista à CBN News, Megan Garcia e Sewell Setzer Jr., pais de Sewell, relatam que o filho, de 14 anos, formou um vínculo emocional com um chatbot de IA que oferecia amizade, apoio emocional e até possibilidades de relacionamento. Segundo eles, o jovem chegou a compartilhar medos e pensamentos suicidas com a ferramenta, que, em determinado momento, chegou a sugerir que ele “voltasse para casa”.

Sewell e o pai
Sewell e o pai. (Foto: Reprodução/CBN News)

Crédito: Reprodução/CBN News

“Sewell não precisava de muito. Se estivesse perto da família, ele ficava bem. Ele era amado e um menino doce”, disse o pai à CBN News.

Ao longo dos meses, os pais perceberam mudanças no comportamento do garoto: ele ficou mais retraído, com dificuldades para concluir tarefas escolares e passou a dedicar menos tempo à família. Mesmo com a vigilância dos aparelhos, redução do tempo de tela e a ida à terapia quando Sewell deixou de se abrir, a tragédia ocorreu em fevereiro de 2024, com o jovem tirando a própria vida.

“A IA criou uma barreira entre nós e nosso filho”, afirmou Megan. Buscando entender o que houve, o casal examinou os dispositivos do filho, esperando encontrar sinais de bullying ou de contato com criminosos na internet. Ao invés de indícios desse tipo, encontraram meses de conversas com o chatbot de IA, criado para simular amizade, apoio emocional e até relacionamentos amorosos.

A mãe contou que, durante meses, o filho compartilhou com o chatbot seus medos, desejos e pensamentos suicidas. Em vez de orientá-lo a buscar ajuda, a ferramenta reforçou certas ideias e chegou a sugerir que ele “voltasse para casa”. Para Megan, o filho acreditava que o relacionamento com a IA era real.

Sewell e Megan
Sewell e Megan. (Foto: Reprodução/CBN News)

Crédito: Reprodução/CBN News

A CBN News aponta que o caso se soma a um número crescente de relatos sobre preocupações de pais em relação ao uso de chatbots de IA por crianças e adolescentes. Em depoimentos ao Comitê Judiciário do Senado dos EUA, foi citado o caso de um adolescente de 16 anos em que o chatbot teria desencorajado o jovem a contar aos pais sobre pensamentos suicidas.

Especialistas destacam que os chatbots não possuem senso de responsabilidade nem compreensão das consequências de incentivar comportamentos perigosos e de autoagressão, segundo a reportagem.

Resumo: Debate nos EUA sobre segurança de IA para jovens após relatos de uso de chatbots em casos de suicídio. O casal Megan e Sewell Setzer Jr. leva o alerta ao Congresso, defendendo regras mais rígidas para plataformas voltadas a menores. Especialistas alertam para riscos de os sistemas validarem falas dos usuários; OpenAI é citada com dados sobre discussões de suicídio no ChatGPT.

Estados Unidos – Em uma audiência no Congresso, especialistas discutiram os riscos de uso de IA por jovens, com a participação de Megan e Sewell Setzer Jr., pais de um adolescente que faleceu, para alertar sobre a necessidade de regras mais rígidas para plataformas como o ChatGPT. A família viaja ao país para chamar a atenção aos impactos da tecnologia na saúde mental de menores.

Segundo informações apresentadas, muitos sistemas de IA são projetados para confirmar ou reforçar o que o usuário diz, o que pode representar um risco real para adolescentes com questões de saúde mental. Parlamentares e especialistas citaram dados da OpenAI apontando que quase 1 milhão de pessoas por semana discutem planos de suicídio com o ChatGPT.

Paul Asay, diretor da Plugged In, plataforma associada à Focus on the Family, afirmou que os chatbots tendem a ser muito encorajadores, o que pode ser problemático para jovens em situação de vulnerabilidade. Robbie Torney, da Common Sense Media, acrescentou que a IA costuma se lembrar de conversas anteriores, criando a impressão de que compreende crianças e adolescentes.

Além dos riscos à saúde mental, especialistas lembraram que já há registros de conteúdos impróprios gerados por chatbots e de falhas em reconhecer sinais de alerta. Robbie Torney completou que esses sistemas não possuem discernimento, nem moral ou senso de responsabilidade equivalentes ao de um ser humano.

Alerta aos pais – Diante desse cenário, especialistas recomendam que os pais acompanhem de perto o uso da IA pelos filhos. Fiquem atentos a sinais de retraimento ou perda de interesse em atividades, e, sempre que possível, limitem o uso do telefone a espaços familiares compartilhados, mantendo aparelhos fora dos quartos, especialmente à noite. Também sugerem discutir a segurança da IA para além de fraudes ou plágio, promovendo um ambiente em que crianças se sintam seguras para falar sobre emoções difíceis.

Hoje, Megan e Sewell Setzer Jr. levam o alerta ao Congresso dos Estados Unidos, onde defendem regras mais rígidas para plataformas de IA voltadas aos jovens. Apesar da perda do filho, o casal afirmou que a fé os sustenta: “Minha fé é a única coisa que me mantém de pé. A graça do Senhor é real. Eu a sinto todos os dias”, afirmou o pai. Megan acrescentou: “Ele nos dá a graça de suportar isso. Ele nos dá o precioso dom de perceber o que Ele já fez — o sacrifício que Ele já realizou. Isso, por si só, me trouxe muita calma nessa situação.”

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