Resumo
Gaza reabre escolas para o ano letivo 2026-2027 com estruturas temporárias, apesar da destruição generalizada. A Unicef estima que 98% das instituições foram danificadas, afetando cerca de 660 mil alunos. O ensino manterá opções à distância para quem não puder frequentar presencialmente.
Gaza iniciou o ano letivo de 2026-2027 em condições extremas, com dezenas de escolas improvisadas montadas em barracas, lonas, chapas e madeira para acolher estudantes que retornam às salas de aula. Estima-se que mais de 540 mil alunos participem do ensino presencial, com o Unicef apoiando a retomada e a adaptação dos espaços.
Unicef aponta que 98% das escolas de Gaza foram destruídas ou danificadas durante o conflito, deixando cerca de 660 mil alunos privados de ensino presencial, segundo autoridades locais.
Entre os relatos, Moayed Abu Mustafa, de Khan Younis, disse estar determinado a aprender, mesmo que tenha que se sentar no chão de uma barraca sem ventilação. Samar Abu Salmi, 15 anos, aluna deslocada, afirmou que antes estudava em celulares; agora está de volta às aulas em uma escola improvisada, onde busca manter o sonho de uma educação estável, mesmo em condições precárias. “Apesar de tudo isso, vamos aprender, vamos aprender mesmo que seja em uma barraca.”
Colchões e um quadro são o que alguns ambientes oferecem em meio à devastação. O Ministério da Educação, com apoio de organizações internacionais, organizou dezenas de escolas temporárias, algumas em solo arenoso, outras com apenas esses recursos básicos, abrigando famílias deslocadas e permitindo que parte dos estudantes retome a programação escolar.
Estima-se que pelo menos 540 mil alunos frequentem aulas presenciais neste ano em espaços improvisados, com atividades de ensino à distância para quem não puder comparecer. Além disso, o retorno ocorre enquanto o conflito permanece contido, mas com impactos duradouros na educação.
As forças israelenses permanecem no controle de mais de 60% de Gaza, mesmo após o cessar-fogo anterior. Autoridades palestinas indicam que mais de 73 mil pessoas foram mortas no ataque de Israel à Gaza, sucedido pelos conflitos de outubro de 2023, quando muros e estradas foram afetados de forma estrutural. Segundo Ibrahim Ramadan, diretor de Educação de Khan Younis Oriental, o saldo humano na região é doloroso e afeta diretamente o ambiente escolar.
Preço dos materiais escolares sofre impactos: Khaled Aliyan, comerciante de papelaria de 30 anos, afirmou que cadernos passaram de 3 shekels para 15 shekels, reflexo das restrições de importação impostas por Israel e do aumento dos custos de itens básicos.
A agência militar israelense Cogat, que controla o acesso a Gaza, não respondeu a pedidos de comentário sobre as restrições de abastecimento e ataques a escolas. Israel também acusa o Hamas de usar escolas para fins militares, acusação negada pelo movimento insurgente.
Este material cita informações da Reuters, parceira do PrimeiroJornal.

