Cassiterita: PF aponta repasses a empresa de Alexandre Pires e produtoras

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo:

  • PF investiga a Operação Disco de Ouro, ligada à cassiterita da Terra Yanomami.
  • Movimentou mais de US$ 48 milhões (aprox. R$ 246 milhões) para produtoras de eventos e o meio artístico.
  • Envolvidos incluem Alexandre Pires e o empresário Matheus Possebon.
  • Mandados de busca ocorreram em dezembro de 2023; apuração teve início em 2022.
Cassiterita: PF aponta repasses a empresa de Alexandre Pires e produtoras
Reprodução/ Facebook

A Polícia Federal aponta que a Operação Disco de Ouro envolve a apuração de desvio de recursos vinculados à cassiterita extraída ilegalmente da Terra Yanomami, com a investigação indicando movimentações superiores a US$ 48 milhões (cerca de R$ 246 milhões) para produtoras de eventos, empresas de sonorização e pessoas ligadas ao meio artístico no Brasil. A linha de investigação aponta para a prática de lavagem de dinheiro associada à exportação do mineral.

Entre os destinatários dos recursos estariam empresas ligadas ao cantor Alexandre Pires e ao empresário Matheus Possebon. Segundo registros da operação, a empresa de Pires recebeu R$ 2,5 milhões em depósitos fracionados em 28 de março de 2023 e houve R$ 1,3 milhão em repasses de uma mineradora para o grupo do artista.

Segundo os registros, a empresa de Alexandre recebeu R$ 2,5 milhões em depósitos fracionados em 28 de março de 2023. Também foram identificados R$ 1,3 milhão em repasses de uma mineradora para o grupo do artista.

Relatórios de inteligência financeira também apontam movimentações atípicas de R$ 5,3 milhões envolvendo a empresa e, no conjunto, R$ 21,2 milhões associadas ao cantor.

No caso de Matheus Possebon, a produtora ligada a seu negócio de arte recebeu R$ 19,3 milhões de empresas do comércio de metais, valor considerado desproporcional para uma empresa do setor de eventos. Outra empresa de estrutura e sonorização recebeu R$ 18,2 milhões de contas vinculadas ao esquema do chamado “dólar-cabo”; o único sócio da firma é apontado como amigo pessoal da família Possebon.

A Operação Disco de Ouro visa esclarecer um esquema que, segundo a PF, movimentou e ocultou mais de US$ 48 milhões por meio da comercialização e exportação de cassiterita. Em dezembro de 2023, durante a primeira fase, a PF cumpriu mandados e apreendeu dados e celulares ligados ao caso. A apuração se iniciou em janeiro de 2022, após a apreensão de aproximadamente 30 toneladas de cassiterita retiradas ilegalmente da Terra Yanomami.

As investigações seguem para esclarecer a relação entre as movimentações financeiras e as operações de exportação do mineral, bem como responsabilizar os envolvidos pelos possíveis desvios de recursos e irregularidades associadas ao esquema.

Roraima, nesta quarta-feira (23/9), foi registrado o avanço de uma operação da Justiça Federal sobre um esquema de minérios. O material indica que minério extraído ilegalmente no estado foi declarado como proveniente de Itaituba (PA) apenas para fins de aparência legal. O grupo envolve empresas brasileiras e estrangeiras, contas de terceiros, operações financeiras internacionais e o chamado dólar-cabo para movimentar recursos.

Conforme apuração, o esquema envolve a alteração da origem do minério para conferir regularidade às operações, com documentos que não refletem a realidade. A investigação aponta o uso de empresas nacionais e estrangeiras, contas de terceiros, operações financeiras internacionais e o citado dólar-cabo para pulverizar pagamentos e dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

Em meio às medidas, a Justiça Federal cumpriu 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de sequestro de bens e valores. As ações, autorizadas pela autoridade competente, visam interromper o fluxo de recursos ligados ao suposto esquema de comercialização e exportação de minérios. A apuração também investiga o uso de documentos com informações falsas para dar aparência de regularidade às operações.

Defesa — Em nota, a defesa de Alexandre Pires afirmou que a relação profissional com Matheus Possebon, irmão de Diego Possebon, apontado como líder do esquema, limitou-se à intermediação da venda de shows do artista à época. “Não houve qualquer outra relação jurídica ou comercial entre Alexandre Pires e Matheus Possebon além daquela diretamente ligada à atividade artística do cantor”, afirmou a defesa, que acrescentou que o artista “segue com tranquilidade sua vida pessoal e profissional, confiante no esclarecimento dos fatos”.

A apuração permanece em curso, com as autoridades destacando que novas informações devem esclarecer o papel de cada envolvido no eventual comércio de minérios e nos mecanismos financeiros empregados para ocultar a origem dos recursos.

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