Daniel Vorcaro nega ter comandado grupo de intimidação em depoimento à PF e rejeita acusações

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Resumo: Daniel Vorcaro, empresário e dono do Banco Master, nega ordens de violência em apuração sobre o grupo “A Turma”. Depoimento à Polícia Federal foi feito por meio de transmissão remota; advogados afirmam que não houve vítimas. Investigações apontam pagamento mensal de cerca de R$ 400 mil para vigilância e intimidação de adversários. Vorcaro e o pai, Henrique Vorcaro, permanecem presos preventivamente.

Em interrogatório conduzido pela Polícia Federal, no âmbito da apuração sobre o grupo descrito como “A Turma”, Vorcaro negou qualquer ordenação de atos agressivos. A oitiva foi realizada de forma remota: o empresário participou a partir do 19º Batalhão da Polícia Militar de São Paulo (conhecido como “Papudinha”), no Distrito Federal, enquanto o pai, Henrique Vorcaro, gravou a manifestação do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem (MG).

Por meio de nota oficial, os advogados Sergio Leonardo, Daniel Bialski e Engels Muniz, representantes da defesa, reiteraram a posição de Vorcaro. “O investigado jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja”, diz o comunicado.

A equipe jurídica acrescentou que, após oito meses de investigação, não há registro de vítimas dos supostos fatos descritos na portaria inaugural do Inquérito Policial.

A sessão de depoimentos também contou com a oitiva do pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, que, assim como o filho, está em prisão preventiva, com as declarações sendo prestadas por transmissão remota.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, parceiro do PrimeiroJornal, o grupo investigado atuava com pagamento mensal de aproximadamente R$ 400 mil para realizar vigilância, coleta de informações privadas e abordagens intimidatórias contra opositores aos negócios do Banco Master, conforme registros da PF com base em dados de aparelhos celulares do executivo.

Entre os episódios destacados, há um diálogo de agosto de 2024 em que um interlocutor identificado como Mourão sugere reunião com “A Turma” para definir “medidas mais drásticas” contra Vladimir Joelsas Timerman, fundador do fundo Esh Capital e crítico público do banqueiro. Na ocasião, Vorcaro orientou: “E contra o advogado também”.

Em outra mensagem, Vorcaro afirmou que seria necessário enviar “A Turma” até a capital paulista para “matar esses negócios”. Não há confirmação nos documentos se tais ações foram efetivadas.

Ao tomar conhecimento de um mandado de busca e apreensão que atingia a instituição financeira, Vorcaro comentou: “Esse depravado do Vladimir pede busca e apreensão e a Justiça deu ouvidos”, enquanto Mourão informou que o grupo já estava pronto, aguardando apenas a validação do banqueiro.

A apuração também aponta reações a postagens sobre um possível pedido de falência do banco. Mourão identificou que a titularidade de uma linha telefônica pertencia a Daniel Marinelli Meira e questionou se a orientação era para agir de alguma forma.

As investigações, que já contam com material colhido em aparelhos celulares, continuam em andamento, com a Polícia Federal consolidando informações para o prosseguimento do Inquérito Policial.

Resumo: Em Angra dos Reis (RJ), relatos indicam que o grupo investigado conhecido como “A Turma” foi acionado para intimidar opositores de um banqueiro. Conversas de outubro de 2024 revelam ordens para derrubar adversários e até mobilização da Polícia Federal. Um executivo, Mourão, afirma ter acionado hackers vinculados ao grupo “Os Meninos” para atuar contra alvos, incluindo o deslocamento para encontrar “A Turma”.

Angra dos Reis, RJ — Em relatos de investigação, o grupo conhecido como A Turma aparece associado a ações de intimidação contra opositores de um banqueiro. As conversas registradas em outubro de 2024 indicam ordens claras para “derrubar” adversários e, em alguns momentos, instruções para mandar turma PF atrás, sugerindo mobilização de agentes em prol das pressões. A narrativa também aponta que o executivo Mourão disse ter acionado hackers vinculados ao grupo descrito como “Os Meninos” e informou que seguiria para encontrar “A Turma”.

Outro trecho dos relatos aponta uma discussão sobre abordagens a ex-colaboradores na cidade de Angra dos Reis (RJ). Nessa passagem, o executivo e Mourão teriam avaliado se o envio de policiais ou de “bicheiros” renderia maior efeito. O participante Vorcaro ponderou que “polícia às vezes não vai intimidar tanto”, e houve menção à possibilidade de mobilizar agentes do Rio de Janeiro. Segundo a narrativa, Mourão chegou a sugerir um “sacode” prévio em Leandro Garcia como forma de amedrontar Luis Felipe Woyceichoski; em resposta, um policial do grupo afirmou que “com a gente não tem moleza”.

Além dessas ações, os relatórios da Polícia Federal indicam que “A Turma” era acionada para obter dados sigilosos sobre investigações em andamento na PF, no Ministério Público Federal e na Polícia Civil do Estado de São Paulo, envolvendo o banqueiro, familiares ou empresas associadas. A documentação aponta o objetivo de extrair informações sensíveis que pudessem influenciar processos ou investigações em curso.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Acidente com ônibus em Narandiba, Salvador, deixa homem morto

Resumo rápido: Em Narandiba, Salvador, um pedestre foi atingido por um ônibus na manhã desta quarta-feira (30) e morreu no local. O motorista deixou o...

Luciano Huck admite conversas com Vorcaro e afirma não ser sócio de jatinho

Resumo: Em mensagens apreendidas pela PF e divulgadas pela Veja, Luciano Huck é citado em possível sociedade com Daniel Vorcaro em jet Gulfstream...

Paulinho da Força apresenta pedidos de impeachment contra Mendonça, Kassio e Fux; veja quem lidera a lista de ministros com mais pedidos

Resumo — Em setembro, 33 novos pedidos de impeachment foram protocolados no Senado Federal após as declarações do ministro André Mendonça sobre o...