Bahia – A psiquiatra Sandra Peu apontou nesta quarta-feira (23) que a abordagem a pessoas em situação de extrema vulnerabilidade e risco de suicídio continua sendo um desafio no estado. Ela destaca lacunas na formação e na estrutura disponível aos agentes de resgate na Bahia para ações de prevenção.
Segundo a psiquiatra Sandra Peu, o Corpo de Bombeiros desempenha papel fundamental no atendimento a ocorrências em locais de alto risco — onde a presença de médicos ou psiquiatras nem sempre é viável por questões de segurança —, porém a falta de preparo contínuo em estratégias de comunicação permanece como gargalo.
A abordagem envolve a necessidade de um treinamento específico para bombeiros que não é estritamente médico, com o objetivo de manter uma comunicação qualificada na hora da intervenção, ressaltou Peu ao podcast Saúde 360.
Ela explicou que, em situações de perigo elevado, nem sempre é viável deslocar um psiquiatra para o local, e, nesses casos, é preciso o apoio da rede de bombeiros, que atuam com elevada qualidade na articulação com a equipe de saúde, mas ainda sem formação padronizada.
Além disso, Peu apontou que a Bahia enfrenta carência de recursos e de equipamentos específicos para esse tipo de ocorrência voltada à prevenção do suicídio. Ela destacou que a falta de materiais limita a atuação e que a qualificação dos bombeiros poderia alinhar as ações com bases científicas.
A associação dos psiquiatras já discutiu a criação de um treinamento unificado e de âmbito nacional para forças de segurança e bombeiros, com o objetivo de garantir uma abordagem técnica padronizada em todo o país, segundo a médica.
Peu afirmou ainda que, apesar de existirem alguns treinamentos, não houve uma abertura significativa para uma qualificação contínua. Em tom de ressalva, mencionou ter ministrado um treinamento para bombeiros no passado e defendeu a necessidade de uma formação nacional abrangente, com diretrizes mais universais para atuação conjunta entre polícia e bombeiros.

