EUA negam visto a procurador que investiga ex-assessor de Milei

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo jornalístico

EUA retiraram vistos de 26 autoridades e empresários latino-americanos de Peru, Colômbia, Equador e Bolívia. Entre os atingidos está o procurador-geral boliviano Roger Mariaca, ligado a investigações envolvendo Fernando Cerimedo. Cerimedo, aliado de Milei e Paz, enfrenta acusações de feminicídio, tráfico de drogas e enriquecimento ilícito. A medida é apresentada pelo Departamento de Estado como parte do Escudo das Américas para combater corrupção e narcotráfico na região.

Estados Unidos retiraram o visto de 26 autoridades e empresários latino-americanos de Peru, Colômbia, Equador e Bolívia, segundo autoridades norte-americanas. No grupo, destaca-se o procurador-geral boliviano Roger Mariaca, apontado por sua relação com investigações que envolvem o argentino Fernando Cerimedo.

Cerimedo, conhecido por atuar na assessoria digital de dirigentes de direita na América Latina, foi preso por suposta tentativa de feminicídio contra a ex-companheira Nadia Beller e responde a investigações por tráfico de drogas e enriquecimento ilícito. Ele também atuou como assessor digital de Javier Milei, presidente da Argentina, e de Rodrigo Paz, chefe de governo na Bolívia.

No Brasil, Cerimedo ganhou notoriedade em 2022, logo após o segundo turno das eleições presidenciais, ao participar de transmissões online nas quais sustentava — sem apresentar provas — que o resultado das urnas havia sido fraudado. A imprensa britânica o descreveu, em tom crítico, como o “homem Maga” da América Latina, referência ao slogan Make America Great Again.

Em resposta, o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, classificou a restrição de visto como uma violação à soberania boliviana e citou o caso Cerimedo. Eleito em 2024 pelo parlamento boliviano para um mandato de seis anos, Mariaca afirmou que “nenhuma pressão política, nacional ou internacional pode impedir a investigação de questões que devem ser apuradas”.

Cerimedo é investigado por operar uma rede digital destinada a políticos de direita na região. A polícia boliviana identificou uma “fazenda de cliques” em um endereço associado ao investigado, utilizado para mobilizar robôs nas redes sociais.

Casa Branca

O Departamento de Estado dos EUA, sob o comando do secretário de Estado, justificou a suspensão de vistos como parte do Escudo das Américas — uma iniciativa liderada pelos EUA, em parceria com aliados da região, para enfrentar cartéis de drogas. Entre os atingidos estariam empresários, juízes, ex-ministros de Estado, advogados, policiais e familiares, sob acusações, algumas sem provas, de corrupção ou narcotráfico.

“Essa política restringe vistos para estrangeiros — e seus familiares — que prejudicam um governo democraticamente eleito por meio de corrupção ou atividades de narcotráfico em nossa região”, afirmou o Departamento de Estado dos EUA.

Segundo informações divulgadas pelo Departamento de Estado, o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, teve o visto de entrada nos EUA cancelado por “envolvimento em corrupção significativa”.

Resumo: O Departamento dos EUA acusa o procurador boliviano Mariaca de abusar de cargos para facilitar o narcotráfico e livrar criminosos, sem apresentar provas. Mariaca nega as acusações e cobra apuração independente. O governo da Bolívia afirma que só abrirá investigações internas após obter informações adicionais dos EUA. O texto também aborda casos de política latino-americana envolvendo Cerimedo e Eduardo Bolsonaro.

Bolívia: O Departamento dos EUA acusou o procurador boliviano Mariaca de abusar de cargos para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos a escapar da justiça, sem apresentar provas. A acusação ocorre em meio a tensões Diplomáticas entre os dois países.

O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, afirmou que não aceitará que decisões externas, “sejam políticas ou de qualquer outra natureza”, condicionem as investigações conduzidas pelas instituições bolivianas.

“O povo boliviano tem direito a conhecer a veracidade das denúncias que foram apresentadas, incluindo aquelas relacionadas com ameaças de corrupção relacionadas aos combustíveis”, rebateu o procurador-geral boliviano.

Governo Paz

O governo de Rodrigo Paz afirmou que pedirá mais informações ao governo dos Estados Unidos sobre as acusações, antes de iniciar uma investigação interna. “As declarações e acusações dos Estados Unidos são bastante sérias, e o governo as encara com a máxima seriedade”, declarou o ministro da Defesa, Ernesto Justiniano.

O porta-voz da Presidência da Bolívia, Fernando Aramayo Carrasco, disse que o governo local responderá às decisões soberanas dos EUA sobre o cancelamento de vistos. “Vamos prestar toda a colaboração, para que se adiantem as investigações e as ações que correspondem à institucionalidade boliviana”, afirmou.

Maga na América Latina

Em fevereiro de 2026, o marketeiro digital Fernando Cerimedo ganhou o prêmio de “consultor político hispânico do ano”, da organização Latino Wall Street, em cerimônia realizada na residência do presidente dos EUA, Donald Trump, em Mar-a-Lago, na Flórida.

Cerimedo recebeu o prêmio das mãos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado por coopção no curso de processo judicial por ter articulado, junto à Casa Branca, o tarifaço contra o Brasil para evitar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Jair Bolsonaro, pai de Eduardo, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de cadeia por tentativa de golpe de Estado. O empresáario e consultor político da direita latino-americana foi citado na reportagem como tendo sido preso na Bolívia por suposta tentativa de feminicídio contra a ativista boliviana Nadia Beller, que o acusa de ser o mandante do atentado. A defesa de Cerimedo nega envolvimento, afirmando que o empresário é vítima de uma armação política.

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