IA e vídeos falsos: maior ameaça à democracia, superando as fake news

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: Brasil: CGI.br publica guia sobre IA e eleições, apontando vídeos gerados por IA como principal vetor de desinformação. Mudanças desde 2018, uso do WhatsApp como principal canal de difusão, além de foco em deepfakes, sistemas de recomendação e papéis de influenciadores. Diretrizes ajudam cidadãos a combater conteúdos enganosos.

CGI.br identifica IA e desinformação como desafio para eleições no Brasil

Brasil — Segundo informações divulgadas pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), parceiro do PrimeiroJornal, o Guia Internet, Democracia e Eleições foi lançado nesta terça-feira (22) e aponta vídeos criados por inteligência artificial como a principal ameaça de desinformação no atual ciclo eleitoral. A publicação está disponível no site do CGI.br e destaca, desde o início, a mudança significativa no ecossistema de circulação de conteúdos desde 2018, com as redes abertas perdendo espaço para plataformas mais restritas.

Ilustração sobre IA e desinformação

Crédito: Agência Brasil

O estudo evidência que o formato audiovisual passou a ser o vetor dominante, quase sempre acompanhado de um texto curto que sustenta a narrativa falsa. Além disso, a disseminação não ocorre mais apenas em uma rede específica; ocorre de modo simultâneo em múltiplas plataformas, aumentando o alcance e a rapidez da propagação de conteúdos enganosos.

“Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem”, afirmou Renata Mielli, coordenadora do CGI.br.

Mielli ressalta que as plataformas são estruturas privadas orientadas por objetivos econômicos, e não pela perspectiva do interesse público. Entender como esses ambientes funcionam, como os conteúdos são distribuídos e quais impactos isso provoca no debate público é fundamental para fortalecer a integridade da informação e a própria democracia. Esclarecer esses mecanismos é uma das finalidades do guia, segundo a instituição.

A publicação também analisa o funcionamento dos sistemas de recomendação, o impacto da IA generativa no cenário eleitoral e explica como ferramentas avançadas — como deepfakes e modelos de linguagem — operam. Além disso, reúne diretrizes para o combate institucional à desinformação e orienta cidadãos a não se tornarem vítimas ou propagadores de conteúdos enganosos.

O estudo destaca ainda o papel dos comunicadores das mídias digitais, sobretudo os influenciadores, reconhecendo sua importância, mas alertando para os riscos da disseminação de informações falsas.

Gráfico sobre IA e eleições

Crédito: Agência Brasil

Disponível no site do CGI.br, o guia aborda temas como a operação dos sistemas de recomendação de conteúdo, o impacto da IA generativa no cenário eleitoral e orienta ações para fortalecer a integridade da informação durante o processo democrático.

Resumo: ACGI.br aponta risco das deepfakes pelo realismo e pela fidedignidade cada vez mais elevados. Conteúdos manipulados podem inspirar desconfiança sobre informações verdadeiras e favorecer a racionalidade motivada e o reforço de crenças, conforme estudo citado.

Segundo informações apresentadas pelo grupo de pesquisa CGI.br, a principal preocupação em relação às deepfakes envolve o realismo e a fidedignidade do conteúdo. O estudo destaca que esse material mentiroso vem passando por aperfeiçoamento constante, o que eleva a probabilidade de enganar leitores e eleitores, mesmo aqueles que costumam avaliar com cuidado as informações que consomem. Em outras palavras, quanto mais realista for a montagem, maior o desafio para distinguir entre fato e ficção, principalmente em contextos de disputa pública ou política.

Essa evolução do conteúdo manipulado pode gerar desconfiança generalizada sobre qualquer tipo de informação, inclusive sobre conteúdos verdadeiros. O efeito é a erosão da credibilidade das fontes formais de informação e o aumento da dúvida entre o público em relação à veracidade do que lê online.

“A perda de confiança em instituições como a imprensa e o Judiciário, somada à polarização política, também contribuem para esse cenário, fazendo com que convicções pessoais se sobreponham à verificação dos fatos”, alerta o Guia.

Outro problema apontado pelo estudo é a intensificação da confirmação de crenças, com os leitores buscando conteúdos que corroboram suas ideias. “Quando se deparam com informações que contradizem essas crenças, tendem a descartá-las — a chamada racionalidade motivada. Nesse sentido, podem produzir o efeito de reforço ideológico”, afirma o estudo.

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