- Jegue Land, fazenda-laboratório na Bahia, busca referência no estudo e na produção de jumentos no Semiárido.
- Parcerias com universidades federais de Pernambuco e Minas Gerais para pesquisas em genética, nutrição e manejo.
- Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal contesta a falta de dados sobre rebanho, rastreabilidade e viabilidade econômica.
- Questões envolvem a cadeia de abate, com foco em Amargosa, e a governança da atividade no Nordeste.
Bahia — A Jegue Land, fazenda-laboratório localizada a cerca de 250 quilômetros de Salvador, pretende tornar-se referência no estudo e desenvolvimento da pecuária asinina no Semiárido brasileiro, com foco na conservação genética, nutrição e na produção de leite, derivados, cosméticos e carne de jumentos.
De acordo com a Jegue Land, a fazenda já atua em parceria com pesquisadores de universidades federais de Pernambuco e Minas Gerais, em trabalhos experimentais que lhe conferem a alcunha de laboratório a céu aberto.
Entre as áreas de estudo estão a conservação genética, a nutrição e o uso de forragens disponíveis no Semiárido, o manejo reprodutivo e sanitário, o bem-estar animal e a avaliação da viabilidade econômica da cadeia produtiva.
Segundo o projeto, os estudos abrangem todas as fases de criação, recria e engorda dos animais, com a geração de indicadores sobre fertilidade, nascimento, crescimento, ganho de peso, conversão alimentar, qualidade da produção e custos da atividade.
“O projeto não é apenas uma fazenda voltada à conservação e pesquisa, mas uma iniciativa de respeito à cultura nordestina e uma aposta científica no potencial ainda pouco aproveitado do Semiárido”, afirmou o administrador e zootecnista Alex Bastos, idealizador da Jegue Land. Segundo ele, o projeto também permitirá avaliar dietas baseadas em recursos acessíveis aos produtores e estabelecer padrões de manejo que respeitem as características da espécie.
A versão apresentada pela Jegue Land é contestada pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal. A diretora técnica Vania Plaza Nunes rebate a existência de uma cadeia produtiva consolidada, argumentando que o projeto não apresenta o tamanho do rebanho, a origem dos animais, resultados de pesquisas, protocolos de rastreabilidade, capacidade de reprodução, estudos independentes ou qualquer dado que comprove a viabilidade econômica anunciada.
O Fórum destaca ainda que o idealizador do projeto é o próprio Alex Bastos, dono do principal frigorífico do país que realiza abate de jumentos, localizado em Amargosa, informação que, segundo a entidade, não constava na apresentação da Jegue Land.
Para o Fórum, o ponto central omitido é a falta de transparência sobre o sistema que já abastece frigoríficos como o de Amargosa. Segundo a entidade, não há dados públicos consolidados sobre a procedência e a identificação dos jumentos, as fazendas por onde passam, as condições de transporte, o controle sanitário ou o descarte de animais mortos.
A instituição questiona ainda como um plantel em rápido declínio será protegido, como a rastreabilidade será garantida e por que uma atividade baseada no abate deveria ser apresentada ao público como política de conservação.

