Anistia Internacional anunciará denúncia contra o presidente argentino Javier Milei à ONU e à CIDH por hostilidade a jornalistas. O episódio envolve ataques a repórteres de investigações, incluindo a defesa de que deveriam “queimar na fogueira”. A ação ocorre após a Justiça archivar o caso criptogate, relacionado à Libra, em fevereiro de 2025. Palavras-chave: Milei, Anistia Internacional, ONU, CIDH, imprensa, Libra.
A Anistia Internacional informou que vai denunciar o presidente argentino Javier Milei à ONU e à CIDH por hostilidade a jornalistas. O anúncio ocorreu após Milei ter atacado repórteres que fizeram reportagens investigativas contra ele, chegando a afirmar que deveriam “queimar na fogueira”.
A Anistia Internacional é uma organização não governamental (ONG) que atua na defesa dos direitos humanos, com representação em mais de 150 países, incluindo o Brasil.
As hostilidades foram cometidas após a Justiça argentina arquivar, na última sexta-feira (23), o caso conhecido como criptogate, de fevereiro de 2025, que levantava suspeitas da participação de Milei e de outras pessoas, como a irmã Karina Milei, em um esquema de irregularidades na criação da criptomoeda Libra.
Milei teria utilizado as redes sociais dele para promover o ativo digital. No entanto, para o juiz federal Marcelo Martínez De Giorgi, não houve delitos.
“Queimar na fogueira”
Milei citou nominalmente os jornalistas Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodríguez, Natalia Volosin e Luis Novaresio, desqualificando-os e proferindo insultos.
“Empacotados, corruptos, mercenários da mentira e fabricantes seriais de operações”, disse em discurso. Em seguida, declarou que “os que têm que queimar na fogueira são os filhos da p*.”
Na rede social X, o mandatário escreveu que foi alvo de “tremenda operação política e midiática cujo único objetivo era prejudicar a presidência para fins políticos de conspiração golpista”. A publicação também o classificou como “subornados e mercenários da mentira”.
“A organização manifesta profunda preocupação com a escalada de hostilidade contra a imprensa e levará esses fatos às instâncias internacionais, no âmbito de seu trabalho de monitoramento e denúncia da deterioração da liberdade de expressão na Argentina”, acrescenta.
Sobre a referência a queimar na fogueira, a Anistia Internacional afirma que a expressão evoca violência extrema e representa “uma escalada grave e inadmissível na hostilidade presidencial contra a imprensa”.
“Não se limita a questionar uma cobertura jornalística, mas individualiza e estigmatiza jornalistas”, pontuou.
A diretora-executiva da ONG na Argentina, Mariela Belski, assinalou que, quando o presidente aponta publicamente jornalistas e utiliza imagens de violência para se referir àqueles que questionam sua gestão, contribui para gerar um clima de intimidação que pode abrir caminho para novas agressões. “O cargo que ocupa exige uma responsabilidade reforçada: deve garantir que a imprensa possa investigar e informar com liberdade e segurança”, acrescentou.
O episódio amplia o debate sobre liberdade de imprensa e o uso de plataformas públicas para ataques a jornalistas, em um momento de tensão política na Argentina.
Crédito das imagens: Agência Brasil/EBC.
Resumo: Argentina registra 278 ataques contra jornalistas em 2025, 55% acima de 2024.
É o maior total desde o início dos registros, em 2008.
Javier Milei é identificado como autor de 119 episódios; há 139 casos de discurso estigmatizante, 20 ações judiciais e 28 restrições de acesso à informação.
A CIDH abriu audiência em novembro de 2025 e pode visitar o país; a Anistia Internacional alerta para o efeito silenciador, enquanto a FIP e a Federação Argentina de Trabalhadores de Imprensa comentam o cenário.
Argentina vive um momento de maior hostilidade à imprensa, com 278 ataques registrados contra jornalistas em 2025, conforme o Monitoramento da Liberdade de Expressão do Fórum de Jornalismo Argentino.
Javier Milei aparece como principal autor individual, com 119 episódios listados. O levantamento também registra 139 casos de discursos estigmatizantes, 20 ações judiciais contra profissionais e 28 restrições de acesso à informação.
A Anistia Internacional reforça que a repetição dessas práticas pode gerar um efeito silenciador que vai além das pessoas diretamente atingidas, desestimulando investigações e empobrecendo a circulação de informações de interesse público.
Em novembro de 2025, a CIDH participou de uma audiência sobre a liberdade de expressão na Argentina, cobrando informações ao Estado e manifestando interesse em realizar uma visita ao país.
A Federação Internacional dos Jornalistas (FIP) e a Federação Argentina de Trabalhadores de Imprensa também emitiram posicionamentos. A peruana Zuliana Lainez, presidenta da FIP, afirmou que a imprensa não está diante de um simples confronto discursivo e que o clima de intimidação coloca em risco a integridade dos profissionais, favorece a autocensura e compromete a função essencial da imprensa na democracia.
A jornalista Carla Gaudensi, secretária da Federação Argentina de Trabalhadores de Imprensa, informou à Agência Brasil que a entidade se somará à Anistia Internacional na representação da denúncia.
Especialistas e organizações de direitos humanos ressaltam a necessidade de medidas firmes para proteger jornalistas, assegurar o acesso à informação e preservar a atuação independente da imprensa no país.
Resumo: Sindicato de Imprensa de Buenos Aires repudia Milei por discurso que incita violência contra jornalistas.
Jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. é impedido de entrar na Argentina; residência cancelada e proibição de reingresso por cinco anos.
Tomaz reside em Brasília e escreve sobre Milei, acompanhando impactos econômicos das medidas do governo argentino.
Debate público sobre cortes, privatizações e inflação acompanha o desdobramento.
Buenos Aires – O Sindicato de Imprensa de Buenos Aires emitiu uma nota de repúdio ao presidente Milei, afirmando que ele “voltou a ultrapassar um limite gravíssimo” ao incitar ataques contra jornalistas, durante o ciclo de críticas às reformas econômicas do governo. A entidade sustenta que esse tipo de discurso agride a liberdade de imprensa e eleva o risco de violência contra profissionais da imprensa, criando um ambiente hostil para o exercício do jornalismo no país.
No dia 12, o jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por críticas ao governo Milei, foi impedido de desembarcar na Argentina ao chegar ao aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires. As autoridades migratórias cancelaram sua residência permanente e estabeleceram uma proibição de reingresso por cinco anos, conforme relatos da imprensa argentina. Tomaz, que reside em Brasília, acompanha a política argentina e tem divulgado análises sobre os impactos econômicos das medidas de Milei.
Tomaz Jr. mora em Brasília e produz conteúdos que destacam os impactos econômicos e sociais das medidas adotadas pelo governo Milei, incluindo cortes nos gastos públicos, privatizações e inflação. O jornalista também trabalha na elaboração de um livro sobre a gestão do presidente argentino, ampliando a cobertura brasileira sobre o tema.
A nota e o episódio refletem o acirramento do debate entre imprensa e críticas ao governo Milei, com reações de entidades da imprensa em relação à liberdade de expressão e à proteção de jornalistas que cobrem temas econômicos sensíveis.
