Resumo: Observatório das Big Techs (NetLab/UFRJ) identifica anúncios irregulares e recomendações de conteúdos de candidatos em plataformas digitais durante o 1º turno das eleições de 2026. Plataformas envolvidas incluem Meta, Kwai, Google, TikTok e YouTube. Dados apontam falhas de transparência e divergências entre bibliotecas de anúncios e exportações. Palavras?chave: eleições 2026, publicidade digital, redes sociais, NetLab, TSE.
O que aconteceu: o levantamento conduzido pelo Observatório das Big Techs (NetLab), ligado à UFRJ, aponta irregularidades na propaganda eleitoral paga e em recomendações de conteúdos de candidatos durante o primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro. O monitoramento acompanhou atividades em várias plataformas digitais.
Onde ocorreu: nas plataformas Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger e Audience Network), Kwai, Google, TikTok e YouTube, conforme o mapeamento do NetLab. O relatório destaca diferentes modalidades de irregularidade em cada ambiente.
Quem está envolvido: o NetLab, observatório vinculado à UFRJ, que conduziu a análise, e as plataformas citadas, que enviaram posicionamentos oficiais sobre o tema.
Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger e Audience Network): foram identificados 568 anúncios irregulares veiculados no período proibido. Além disso, houve seis anúncios simulando comunicações oficiais do TSE com uso não autorizado de elementos visuais da Justiça Eleitoral, incluindo conteúdos que induziam o cidadão a cadastrar CPF.
Kwai: o estudo localizou 18 anúncios eleitorais ativos no dia da votação, e outros 4 listados como “em pausa”, dos quais 3 haviam circulado no período de resguardo (1º a 3 de outubro). Também foram mapeados 45 anúncios com datas finais estendidas para o dia 4, embora existam divergências nos dados fornecidos pela plataforma, segundo o NetLab.
Google: o monitoramento identificou um anúncio detectado em 3 de outubro que permaneceu ativo de forma irregular no dia da eleição.
Sistemas de Recomendação ( TikTok e YouTube ): entre 3 e 4 de outubro, foram recomendados 18 vídeos de 7 candidatos no TikTok e 17 vídeos de 6 candidatos no YouTube. No Instagram, não havia recomendações ativas de vídeos de candidatos identificadas pelo NetLab.
Transparência de dados: o relatório aponta que limitações na transparência de dados dificultam a fiscalização e a responsabilização das plataformas. Houve divergências entre as informações exibidas nas Bibliotecas de Anúncios e as listas exportadas via API, com Google, LinkedIn e TikTok oferecendo volumes de dados para acompanhamento de maneira limitada.
Posicionamentos das plataformas: as plataformas encaminharam posicionamentos oficiais. Entre eles, Meta afirmou estar comprometida com a proteção do processo eleitoral e com o cumprimento da legislação brasileira, destacando que a amostragem utilizada pelo NetLab não reflete a dimensão total da publicidade na própria plataforma. Demais plataformas também apresentaram respostas formais, reiterando o cumprimento das normas vigentes.
Resumo jornalístico
Kwai, TikTok e Google respondem ao TSE sobre a integridade das eleições no Brasil.
Kwai aguarda acesso a conteúdos para avaliação, mantém moderação especial e bloqueia novas peças desde 1º de outubro.
TikTok informa cooperação com o TSE e anuncia remoção de 348.963 vídeos entre jun./set. 2026; Google reforça proibição de anúncios políticos desde 2024 e atuação rápida contra violações.
Kwai, TikTok e Google divulgaram posicionamentos ao TSE sobre a integridade das eleições no Brasil. Em respostas enviadas nos últimos meses, Kwai informou que aguarda acesso aos conteúdos para avaliação, manteve operação especial de moderação no período e bloqueou a inclusão de novas peças eleitorais a partir de 1º de outubro.
O TikTok destacou a parceria com o TSE para assegurar a integridade do pleito e informou que, entre junho e setembro de 2026, removeu 348.963 vídeos no Brasil por violações de diretrizes sobre integridade cívica, desinformação e conteúdos gerados por inteligência artificial.
Já o Google ressaltou que proíbe anúncios políticos no Brasil desde 2024 em suas políticas do Google Ads, e afirmou atuar de forma imediata contra violações, destacando que a presença de apenas uma ocorrência no relatório demonstra a eficácia das equipes de prevenção da empresa.

