Resumo: ANP amplia a Margem Equatorial, nova fronteira de exploração de petróleo e gás, com 11 setores somando 380 mil km² e 501 blocos. Áreas situadas em Barreirinhas, Ceará, Foz do Amazonas, Potiguar e Pará-Maranhão (>3 mil m de lâmina d’água). Decisão aprovada pela diretoria da ANP, embasada pela ONU. Petrobras registra segunda descoberta na região, reforçando estratégia de reposição de reservas. Fonte: Agência Brasil, parceiro do PrimeiroJornal.
ANP amplia fronteira de exploração na Margem Equatorial A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou nesta sexta-feira (2) a inclusão de 11 novos setores na Margem Equatorial, elevando a área total para cerca de 380 mil quilômetros quadrados e somando 501 blocos de exploração. A medida, classificada como Nova Fronteira Exploratória, foi aprovada pela diretoria da agência e está fundamentada na ampliação da plataforma continental brasileira reconhecida pela ONU. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal.
Crédito: Agência Brasil / EBC.
Crédito: Agência Brasil / EBC.
Os 11 setores foram classificados pela ANP como Nova Fronteira Exploratória e estão distribuídos pelas bacias de Barreirinhas, Ceará, Foz do Amazonas, Potiguar e Pará-Maranhão. A área correspondente aos 501 blocos situa-se em lâmina d’água com profundidade superior a 3 mil metros.
A inclusão foi viabilizada pela decisão da Organização das Nações Unidas (ONU) que ampliou a plataforma continental brasileira. Em 2025, o Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira, coordenado pela Marinha, foi reconhecido pela Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU, o que possibilitou a ampliação da extensão sob soberania do país.
Plataforma continental
A plataforma continental compreende o leito e o subsolo das áreas submarinas que se estendem além do mar territorial, onde o país exerce soberania para exploração de recursos naturais. A ampliação reconhecida pela ONU embasa a possibilidade de inclusão dos novos setores na Margem Equatorial.
Com base nessa decisão, a ANP pôde incluir os setores exploratórios na nova fronteira da Margem Equatorial, considerada pelo mercado como área de alto potencial para petróleo e gás, devido ao alinhamento com os trabalhos de pré-sal e aos avanços recentes na região.
Localização e contratos
Os 11 novos setores estão distribuídos nas bacias de Barreirinhas, Cearu00e1, Foz do Amazonas, Potiguar e Pará-Maranhão. Os 501 blocos configurados nessas áreas estão localizados em lâmina d’água superior a 3 mil metros.
A nova plataforma continental levou também a ANP a ajustar os limites de três setores já existentes: SPAMA-AUP1 e SPAMA-AUP2.
A agência explicou que os 501 blocos não serão automaticamente incluídos no sistema de Oferta Permanente, uma modalidade de leilões com participação de petroleiras. Uma eventual indicação de blocos para oferta dependerá de análise específica e deverá seguir o rito regulatório aplicável, incluindo avaliações e manifestações previstas para essa finalidade, da ANP e de outros órgãos envolvidos.
“Uma eventual indicação de blocos para oferta dependerá de análise específica e deverá seguir o rito regulatório aplicável, incluindo as avaliações e manifestações previstas para essa finalidade, da ANP e de outros órgãos envolvidos.”
Nesta sexta-feira, a Petrobras anunciou uma segunda descoberta na bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá, integrada à Margem Equatorial. A estatal afirma que a exploração no norte do país é caminho para reposição de reservas, já que o pré-sal, caso não haja mais descobertas, pode entrar em declínio em meados da década de 2030.
Resumo: ANP atualiza os limites da Margem Equatorial com novas áreas de exploração, sem impactar contratos vigentes. A análise socioambiental não identificou sobreposições que inviabilizassem os recortes. Governo busca previsibilidade para dados sísmicos e planejamento estratégico. Reações da indústria destacam ganho de reservas; especialistas defendem uso da renda para desenvolvimento nacional. Fonte: Agência Brasil, parceiro do PrimeiroJornal.
Margem Equatorial: A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) atualizou a delimitação de áreas de exploração na região, incluindo novas áreas, sem impactar contratos vigentes, segundo a assessoria da autarquia. A avaliação socioambiental não detectou “sobreposições ou proximidades que inviabilizassem os recortes propostos”, conforme o órgão regulador. A definição prévia dos setores e blocos, afirma a ANP, oferece maior previsibilidade para atividades que costumam anteceder contratações, como a aquisição de dados sísmicos, geoquímicos e multifísicos, além de ampliar as informações disponíveis para o planejamento e para futuras decisões da União.
A ANP afirma que a análise socioambiental realizada para configuração das novas áreas considerou as unidades de conservação e não identificou “sobreposições ou proximidades que inviabilizassem os recortes propostos”. A confirmação oferece um quadro de previsibilidade para etapas preparatórias, incluindo estudos e mapeamentos que costumam acompanhar a exploração, antes de qualquer contratação formal.
Para o órgão regulador, a definição prévia de setores e blocos facilita etapas que costumam anteceder contratações, como a aquisição de dados sísmicos, geoquímicos e multifísicos, além de ampliar as informações disponíveis para o planejamento e para futuras decisões da União.
Indústria comemora
Para o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a expansão de novas áreas na Margem Equatorial representa um “passo estratégico” para a reposição das reservas brasileiras e a manutenção da segurança energética do país no longo prazo. De acordo com o diretor executivo de Exploração e Produção do IBP, Cláudio Nunes, a ampliação é positiva e possibilita à indústria “buscar novas áreas e avançar no conhecimento geológico da região”.
Ele contextualiza que a descoberta anunciada pela Petrobras na costa do Amapá mostra “sinais muito positivos em relação ao potencial de hidrocarbonetos [principais componentes do petróleo e do gás natural]”.
“Sinalização positiva para a indústria, empresas e investidores”, disse à Agência Brasil.
Para ele, o Brasil está no caminho certo ao avançar fronteiras exploratórias, reforçando a necessidade de ter novas reservas nos próximos anos “para evitar que o Brasil se torne importador de petróleo a partir de 2033/2035”.
Reservas e soberania
O Ineep, Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, ligado à FUP, compartilha da visão de que a nova delimitação amplia o horizonte de exploração e representa uma nova fronteira de reposição de reservas. Para o coordenador de pesquisas do Ineep, Francismar Ferreira, é necessário discutir a política energética e os marcos regulatórios vigentes de modo que os avanços exploratórios sejam articulados ao desenvolvimento produtivo e tecnológico nacional.
Ele aponta caminhos para o uso dos recursos capturados com a exploração. “Que a renda gerada seja apropriada e utilizada pelo Estado para fins estratégicos, como adaptação às mudanças climáticas, redução das desigualdades e da pobreza energética e financiamento da transição energética”, disse à Agência Brasil.
O pesquisador do Ineep também ressalta que leilões anteriores da ANP demonstraram apetite de petroleiras multinacionais e pede que esse modelo seja evitado na Margem Equatorial para não permitir “desnacionalização das reservas”. Segundo ele, a nova fronteira deve ser tratada como parte central da política energética nacional, com maior coordenação estatal sobre reservas, ritmo de exploração e destinação da renda petrolífera, fortalecendo a Petrobras e articulando a atividade com uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo.

