Resumo
Estudo do Made-USP aponta que estagnação ou cortes nos benefícios sociais e previdenciários podem frear a economia de municípios do interior brasileiro.
Entre 2022 e 2025, manter reajustes reais reduz impactos na renda agregada; sem ganhos reais, interior pode registrar queda de 6,8% a 18%.
Benefícios como Bolsa Família e BPC representam até 40% da renda em cidades interiores, influenciando pobreza e comércio local.
Bahia, São Paulo e Minas Gerais aparecem entre os estados com maiores altas na pobreza caso haja diminuição desse apoio.
São Paulo – Um estudo do Made, Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades, vinculado à Faculdade de Economia e Administração da USP, evidencia que a estagnação ou cortes no valor de benefícios sociais e previdenciários pode reduzir significativamente a atividade econômica de municípios do interior brasileiro. A análise, que considera cenários entre 2022 e 2025, compara a manutenção dos reajustes com um cenário de ganhos reais ausentes para programas como o BPC e as aposentadorias, além do Bolsa Família.
Impacto da renda emergencial Em cidades do interior, as transferências públicas chegam a representar até 40% da renda total, enquanto nas capitais a participação fica em torno de 22% da renda agregada em estados como o Ceará. Esse peso maior no interior é destacado como fator crucial para o dinamismo do comércio local e para a arrecadação municipal, segundo Luiza Nassif, co-diretora do Made-USP.
Cenários econômicos O estudo projeta efeitos significativos para 2025 caso não haja reajustes reais: a renda agregada do interior poderia cair entre 6,8% e 10,8% em relação ao cenário com valorização dos benefícios. Os impactos variariam por estado: no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, a queda estimada fica entre 17% e 18%; no Amazonas, Sergipe e Pernambuco, em torno de 15%; no Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia, entre 10% e 13%; e, em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, até 6,5%.
Pobreza e desigualdade Além de efeitos sobre renda e atividade econômica, o estudo reforça o papel dos benefícios no combate à pobreza. Para famílias com rendimento de até 1,5 salário mínimo per capita, os benefícios podem representar até metade da renda. Sem ganhos reais entre 2022 e 2025, a estimativa aponta a soma de aproximadamente 2,7 milhões de pessoas em situação de pobreza nos municípios fora das regiões metropolitanas, sendo 2,4 milhões em pobreza extrema.
Impactos por região Em números absolutos, as maiores altas na pobreza são previstas para Bahia (até 336 mil pessoas a mais), São Paulo (até 263 mil) e Minas Gerais (até 251 mil), seguidos por Maranhão, Pará e Ceará. A pesquisa ressalta que a intervenção no ritmo de valorização dos benefícios poderia comprometer não apenas as famílias diretamente assistidas, mas também a circulação econômica do interior do país.
“Olhando para o peso da renda que vem desses benefícios, fica evidente o dano que a falta de reajustes reais pode provocar nas economias locais”, afirma Nassif. “Manter a valorização real da previdência, do BPC e dos programas de transferências é a garantia mínima de dignidade para as famílias e de sobrevivência para o comércio local no Brasil profundo”, completa.
Fonte: Made-USP – Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades, com dados referentes a 2022-2025.

