Resumo: PF investiga remessas de US$ 12,3 milhões para fundo nos EUA ligado ao financiamento da produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Documento de Calixsan Capital Management aponta compromisso de US$ 24 milhões com cronograma a partir de 20/01/2025, citando urgência na produção. Mineiro nega conhecimento da destinação cinematográfica dos recursos; PF aponta contradições com depoimento e evidências documentais.
A Polícia Federal aponta contradições no depoimento do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, sobre remessas de US$ 12,3 milhões a um fundo nos Estados Unidos, que é investigado por possível envolvimento no financiamento da produção do filme Dark Horse, relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mineiro, proprietário da Entre Investimentos, afirmou ter efetuado as transferências a pedido do pastor Fabiano Zettel, com o aval do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e cunhado do evangélico.
Ele afirmou ainda que pretendia investir em empreendimentos imobiliários e que só tomou conhecimento da destinação cinematográfica dos recursos pela imprensa.
A PF localizou uma referência explícita à produção do filme em documento apresentado pelo próprio empresário. Emitido pela Calixsan Capital Management e dirigido à Entre Investimentos, o texto estabelece um compromisso total de US$ 24 milhões e um cronograma iniciado em 20/01/2025, com a justificativa de que “time is of the essence to the production of the film”.
Segundo os investigadores, o documento está em aparente contradição com a afirmação de que o colaborador desconhecia a destinação cinematográfica dos recursos. Os agentes destacam que apenas a primeira página da carta havia sido apresentada, dificultando a leitura integral do acordo.
A análise também aponta que o valor total e o cronograma coincidem com o contrato de financiamento do filme localizado no aparelho de Vorcaro, segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira (15/10) no inquérito sobre o financiamento da produção envolvendo o ex-presidente. Mineiro prestou depoimento em 1º de outubro, na condição de testemunha colaboradora, após acordo de delação premiada homologado pelo ministro André Mendonça, do STF.
A PF ressalta que apenas a primeira página da carta foi apresentada e que o conteúdo completo reforça a ligação com a produção cinematográfica, contrastando com o relato do empresário. A investigação continua para esclarecer o uso dos recursos e a natureza dos acordos envolvidos.

Crédito: Metro Images
Resumo jornalístico
PF prorroga por 90 dias inquérito que apura repasses envolvendo o empresário conhecido como Mineiro e a Entre Investimentos. Planilha aponta recebimento de R$ 12 milhões da Super Empreendimentos, ligada ao circuito de Vorcaro, com R$ 11,7 milhões liquidados em operações de câmbio no dia seguinte. Investigações indicam divergências entre declarações, mensagens de Vorcaro e possível omissão do beneficiário final.
Palavras-chave: Polícia Federal, Mineiro, Entre Investimentos, Vorcaro, Master, Super Empreendimentos, inquérito.
A Polícia Federal solicitou a prorrogação de 90 dias do inquérito em curso que investiga repasses envolvendo o empresário conhecido como Mineiro e a Entre Investimentos. O pedido visa esclarecer contradições, e a PF aponta que o empresário poderá ser ouvido novamente para esclarecer as informações em apuração.
Divergências sobre a origem dos recursos foram apontadas pela investigação. Mineiro afirma que os aportes foram custeados com saques de uma linha de crédito no Master, venda de ativos ou recursos próprios da Entre Investimentos.
Segundo a PF, uma planilha apresentada por um colaborador da Entre mostra que a empresa recebeu R$ 12 milhões da Super Empreendimentos, apontada como ligada ao circuito financeiro de Vorcaro, em 12 de fevereiro de 2025. No dia seguinte, foram liquidados R$ 11,7 milhões em operações de câmbio.
Para os investigadores, a sequência de transações é compatível com mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Em 11 de fevereiro, o banqueiro teria exigido que o câmbio “para o filme” fosse resolvido naquele dia.
A corporação também identificou divergência entre as declarações prestadas ao fundo e a versão apresentada em depoimento. Nos documentos de subscrição, a Entre informou que adquiriam as cotas por conta própria e que não havia acordo para transferi-las a terceiros.
Mineiro afirmou que havia uma expectativa informal de passar as cotas para Vorcaro ou para o Master após a regularização cadastral. Para os investigadores, a incompatibilidade indica possível omissão de quem seria o beneficiário final da aplicação.
O empresário afirmou, ainda, que pediu o resgate integral dos valores e um demonstrativo dos investimentos após conhecer a destinação dos recursos. A PF observou, contudo, que o único e-mail apresentado sobre o assunto solicita o saldo aplicado e orientações para o resgate.

