Resumo: Chile vive crise econômica em sete meses de governo de Kast, com PIB em queda, desemprego em alta e austeridade fiscal. FMI reduziu previsão de crescimento para 0,6% em 2026; mineração de cobre aponta fraqueza, e o governo evita intervenções para conter preços de combustíveis.
Chile, em sete meses de governo, enfrenta uma crise econômica com o PIB em queda e o desemprego em alta. A administração tem adotado medidas de austeridade que reduzem o gasto público e não interveio para conter a alta de preços de combustíveis, citando custo fiscal. O FMI recuou a previsão de crescimento para 0,6% em 2026, frente a 1,8% projetados em julho.
No terceiro trimestre, o desemprego subiu 1 ponto percentual, para 9,6% em 12 meses, enquanto o PIB recuou 0,3% no período, após queda de 0,2% no segundo trimestre. Os dados oficiais apontam para uma trajetória de fraca expansão, com o cobre, principal motor das exportações, pressionando a atividade.
Diante do choque no preço dos combustíveis, motivado pelas guerras no Oriente Médio, o governo Kast decidiu não intervir para reduzir o preço, citando custo fiscal. Com isso, a gasolina e o diesel seguem em alta, contribuindo para a inflação e para o custo de vida da população.
O Fundo Monetário Internacional revisou a queda esperada do PIB chileno para 0,6% em 2026, após a estimativa de 1,8% em julho. A marca coloca o Chile entre os desempenhos mais fracos da América do Sul, ficando atrás apenas da Bolívia, que projeta recessão de cerca de 3% neste ano.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, o professor Fernando Henrique Lemos Rodrigues, doutor em teoria econômica pela UFRRJ, afirma que o corte de gastos freia a expansão econômica e agrava a dependência do cobre. “Ele está freando a expansão dos gastos. Só isso já dá um impacto brutal sobre a economia chilena, porque ela está diante de uma conjuntura bastante precária no seu principal setor, que é o cobre.”
Mineração em queda
Entre janeiro e agosto de 2026, a produção de cobre ficou 8% menor em relação ao mesmo período de 2025, conforme dados da Câmara Mineira do Chile.
O cobre representa entre 40% e 50% do total das exportações chilenas, destaca o especialista, ressaltando que o esgotamento de minas, problemas tecnológicos e eventos climáticos prejudicam o setor e, por consequência, a economia nacional.
Corte de gastos
A agenda de austeridade do presidente Kast previa uma redução bruta de até 3% nos gastos do Estado, uma linha de atuação que tem causado debates sobre seus impactos na economia e na capacidade de investimento público.
