Argentina deporta jornalista brasileiro que criticava Milei

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: Rogério Tomaz Jr. teve a residência permanente cancelada e está proibido de retornar à Argentina por cinco anos, após desembarcar em Buenos Aires. A decisão, baseada em decreto de 2025, é contestada pelo jornalista, que atribui motivação política aos atritos com o governo Milei. Ele pode recorrer, mas admite a possibilidade de não recuperar a residência.

Palavras-chave: Rogério Tomaz Jr, Argentina, residência permanente, proibição de reentrada, Milei, Juan Pablo Carreira, DNM, decreto 2025.

Buenos Aires, Argentina — Rogério Tomaz Jr., jornalista brasileiro conhecido por críticas ao governo argentino, foi impedido de entrar na Argentina ao desembarcar no Aeroparque, em Buenos Aires, nesta segunda-feira (12). Segundo documentos da Direção Nacional de Migrações (DNM) repassados ao jornalista via WhatsApp, houve o cancelamento de sua residência permanente e a imposição de uma proibição de reentrada pelo período de cinco anos. Tomaz afirmou ter assinado os documentos que formalizam a decisão e relatou que aguardava o voo de retorno ao Brasil. Segundo informações obtidas junto à Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, ele não havia sido informado previamente sobre a revogação da sua autorização de residência.

Justificativa migratória — De acordo com os registros da DNM, a decisão está fundamentada em decreto de 2025 que permite o cancelamento de permissões de residência quando as condições estabelecidas no documento não são atendidas. Tomaz, que obtivera a residência permanente na Argentina em janeiro de 2022, contestou a justificativa. Ele afirma que o documento tinha validade até 2037, e as autoridades defenderam que ele não permaneceu no país pelo tempo necessário para manter o benefício, alegando ausência de residência regular desde 2022.

O jornalista sustenta que continuou viajando ao território argentino e que, de fato, só em 2026 permaneceu 36 dias no país. Além disso, a medida prevê a proibição de entrada pela duração de cinco anos. Tomaz disse que pretende recorrer da sanção, embora reconheça a possibilidade de não conseguir recuperar a residência permanente.

Confrontos políticos — O brasileiro acredita que a decisão esteja ligada aos embates travados nas redes sociais entre julho e agosto com apoiadores e integrantes do governo argentino, especialmente com Juan Pablo Carreira, conhecido como Juan Doe, diretor de Comunicação Digital da Presidência. Segundo Tomaz, as disputas começaram após manifestações de Carreira e de outros membros do entorno digital alinhado ao governo Milei. O jornalista também relatou ter criticado um canal de streaming que, em sua avaliação, atua como instrumento de comunicação política do governo.

Em mensagem de áudio compartilhada, Tomaz associou o episódio migratório a uma suposta escalada autoritária na Argentina. O jornalista afirmou ter recebido tratamento cordial das funcionárias responsáveis pelo procedimento migratório e reiterou que não cometeu qualquer crime.

Segundo informações obtidas junto à Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, a decisão de cancelar a residência permanente e impor a proibição de entrada pode ser objeto de recurso. A reportagem segue buscando esclarecimentos oficiais sobre o conteúdo e o andamento da tramitação.

Resumo

Jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi deportado pela Argentina ao retornar ao Brasil, após acompanhar a crise econômica local.

Tomaz trabalha em um livro sobre o governo Milei, com previsão de publicação para fevereiro de 2027.

Sindicatos SJPDF e Fenaj repudiaram a deportação e apontam preocupação com a liberdade de imprensa.

Contexto político: Milei editou decreto que restringe entrada de estrangeiros que promovam ódio ou violência contra argentinos.

Argentina – O jornalista Rogério Tomaz Jr., que mora em Brasília e acompanha a política argentina, foi deportado pela Argentina ao retornar ao Brasil, após ir ao país para registrar a crise econômica e a suposta escalada autoritária do governo Milei, conforme informações já veiculadas por entidades de imprensa.

Rogério Tomaz Jr. produz conteúdos sobre os impactos econômicos e sociais das medidas adotadas pelo governo Milei, incluindo cortes nos gastos públicos, privatizações e inflação. O repórter também trabalha em um livro sobre a gestão do presidente argentino, com previsão de publicação em fevereiro de 2027.

Em mensagem enviada a contatos brasileiros, o jornalista afirmou ter ido à Argentina para registrar imagens que mostrem ao Brasil e ao mundo a crítica situação econômica do país e a escalada autoritária deste governo de extrema direita.

O jornalista deixou a Argentina com destino ao Brasil. Após desembarcar em Guarulhos, ele seguiu para Brasília, onde reside, na tarde desta segunda-feira, completando o retorno do país sul-americano.

Sindicato – Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiaram a deportação e manifestaram solidariedade ao jornalista. O texto ressalta que a democracia argentina e a brasileira merecem respeito e que nenhum governo tem o direito de perseguir ou expulsar profissionais pelo exercício da profissão.

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