Alcolumbre negocia vaga de vice com Tereza Cristina para assegurar apoio à presidência do Senado em 2029
RESUMO Disputa pelas presidências da Câmara e do Senado para 2027 ganha contornos mais intensos, com Hugo Motta buscando manter a Câmara, e Davi Alcolumbre enfrentando cenário incerto no Senado; Rogério Marinho e Tereza Cristina aparecem como possíveis candidatos, com alianças entre PL e PP e debate sobre o Judiciário.
A menos de dois meses do início de 2027, a disputa pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado ganhou contornos mais acirrados. Enquanto Hugo Motta (Republicanos-PB) já consolidou apoios para manter a cadeira na Câmara, no Senado a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) permanece incerta.
O PL, partido do candidato a presidente Flávio Bolsonaro, deve lançar na próxima semana o senador Rogério Marinho (RN) como candidato à presidência do Senado. Embora o PL tenha sinalizado apoio ao nome do coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Alcolumbre ainda busca adesões no bolsonarismo, contando com votos secretos para promover dissidências na cúpula oposicionista.
O terceiro nome que corre por fora é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que, apesar de ter sido sondada tanto por Marinho quanto por Alcolumbre, continua disposto a concorrer ao Senado.
Horas depois da confirmação de que Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos, Tereza Cristina divulgou nota reafirmando a intenção de disputar a presidência e sinalizando disposição para discutir pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A manifestação de Tereza Cristina representa um movimento de confronto direto à candidatura de Alcolumbre, que, nesta semana, esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e recebeu o apoio do Palácio do Planalto para tentar permanecer no comando do Senado e do Congresso Nacional.
Alcolumbre já indicou que não pretende avançar com o afastamento de ministros do STF. Já Tereza Cristina defendeu que a escolha da nova direção do Senado leve em consideração a composição política resultante das eleições e a vontade dos parlamentares que assumirão seus mandatos.
“Mal saímos da eleição e vimos nosso candidato Flávio Bolsonaro ser abordado na rua depois de visitar o pai por policiais. Será que o Judiciário renovará neste quarto mandato a perseguição política contra adversários do atual governo?”, questionou a senadora.
A declaração da senadora do PP foi divulgada depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF). O episódio passou a ser utilizado por aliados do candidato a presidente como argumento para criticar a atuação do Judiciário e defender mudanças na condução política do Senado.
Apesar de sua disposição em manter sua candidatura, o PP já anunciou apoio a Alcolumbre. Lideranças e dirigentes do partido afirmam, reservadamente, que Alcolumbre pode oferecer à senadora uma composição, para que ela seja vice-presidente de 2027 a 2029, e receba apoio para concorrer ao cargo em fevereiro de 2029.
Como Davi Alcolumbre não poderá se reeleger em 2029, o senador, nesta composição, apoiaria Tereza Cristina para o cargo de presidente na eleição seguinte. Não se sabe, entretanto, se a bancada governista no Senado apoiaria esse arranjo.





