Resumo
Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo em décadas, com mais de 4,4 mil casos confirmados neste ano e três mortes. Entre os infectados, 98% não estavam com o calendário vacinal completo. Discursos antivacinação ligados à gestão atual são apontados como agravantes; a situação reverbera em toda a região.
Estados Unidos registram o que é descrito como o pior surto de sarampo em décadas, com mais de 4,4 mil casos confirmados neste ano e três falecimentos. Entre os acometidos, 98% ainda não haviam completado o esquema vacinal. A disseminação é associada a discursos antivacinação promovidos pelo governo, segundo a cobertura de agências internacionais.
Crédito: Reuters/Shannon Stapleton
A avaliação do diretor do Programa Nacional de Imunizações do Brasil, Eder Gatti, aponta que os EUA vivem um período de retrocesso que ameaça o continente. “O governo americano, além de chancelar discursos negacionistas, tem um secretariado de saúde antivacina”, destacou.
“Espero que o mundo não veja isso como exemplo. Eles estão colhendo frutos. A vacina contra o sarampo é uma vacina de bloqueio: quem se vacina não contrai nem transmite”, acrescentou o diretor do PNI.
Casos importados — O aumento da incidência em outros países aumenta a pressão sobre o Brasil, que registrou 61 casos da doença neste ano, a maioria com origem importada. Embora o Brasil permaneça certificado como área livre, a manutenção desse status permanece desafiadora.
Em 2023, antes da reconquista do certificado, as coberturas da tríplice viral no calendário básico infantil ficaram em 88% na primeira dose e 66% na segunda. Em 2024, esses índices subiram para 96% e 78%, respectivamente. Neste ano, as taxas preliminares são de 95% na primeira dose e 80% na segunda.
O certificado de área livre de sarampo foi conquistado em 2016 e perdeu-se em 2019, após a reintrodução da doença na região Norte e sua disseminação pelo país. A manutenção do status depende, entre outros fatores, do avanço contínuo da vacinação e da vigilância epidemiológica.
Especialistas ressaltam a importância de manter altas coberturas vacinais para evitar novos surtos e preservar a certificação de área livre, diante da continuidade de casos importados e da necessidade de resposta rápida a qualquer sinal de reintrodução.
- Imunização em debate: EUA reduzem recomendações de vacinas para crianças e sugerem dividir a tríplice viral em três vacinas distintas.
- No Brasil, o PNI afirma ter reconquistado certificação de vigilância e cobertura vacinal, com atuação do Ministério da Saúde e governos estaduais/municipais.
- Especialistas alertam para queda de confiança e riscos de transmissão; a OPAS registra milhares de casos de sarampo no continente.
- Enfatiza-se a importância da imunidade de rebanho para proteger populações vulneráveis e evitar surtos.
Em meio a debates sobre imunização, os Estados Unidos anunciaram mudanças nas recomendações de vacinas para crianças: em agosto, reduziram de 17 para 11 o total de imunizantes indicados e propuseram dividir a vacina tríplice viral em três imunizantes distintos, aplicados separadamente. No Brasil, o PNI afirma ter reconquistado certificação de vigilância e de cobertura vacinal, resultado de um trabalho coordenado entre o Ministério da Saúde e governos estaduais e municipais, conforme informações repassadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal.
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Criança com sintomas de sarampo. Foto: OMS
Crédito: OMS
Perda de confiança
Em agosto, o governo americano reduziu de 17 para 11 o número de imunizantes recomendados para todas as crianças; Trump também propôs que a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, seja dividida em três imunizantes distintos, aplicados em ocasiões diferentes, gerando críticas entre especialistas brasileiros.
Segundo o diretor da SBIm, Juarez Cunha, as novas recomendações teriam sido motivadas por questões políticas e não teriam base científica, além de serem inviáveis, já que as vacinas individualizadas contra sarampo, caxumba e rubéola não são fabricadas há quase 20 anos.
Isso leva a uma grande confusão na população, porque a Academia Americana de Pediatria continua recomendando as vacinas exatamente como eram antes, e, por outro lado, tem um órgão governamental fazendo uma série de mudanças. E a confiança é fundamental para a gente ter sucesso na vacinação
O diretor da SBIm também enfatiza o risco trazido pelo aumento da ocorrência nos Estados Unidos e em outros países das Américas. De acordo com a OPAS, os casos no continente já passam de 56 mil, com pelo menos 80 mortes.
“O sarampo é uma das doenças com a maior facilidade de transmissão quando encontra alguém suscetível, que não foi adequadamente vacinado, e existem pessoas recém-nascidos, ou com algum problema de imunidade, que não podem tomar essa vacina. Mas, se 95% das pessoas ao redor estiverem vacinadas, eu tenho um ambiente protegido, uma imunidade coletiva”, explica Cunha.
Cunha considera que a vigilância no Brasil tem respondido muito rapidamente aos casos, para bloquear a transmissão. Mas esse esforço tem custo enorme.
Sempre que há suspeita de sarampo, as autoridades sanitárias são acionadas para confirmar a infecção, isolar o doente e rastrear contatos, para evitar novos surtos.
Resumo: Desinformação sobre vacinas persiste nas redes, mas SBIm reitera a importância da tríplice viral para o sarampo e a manutenção de 95% de cobertura vacinal. Debates sinalizam impactos de decisões internacionais sobre vacinação; estudos já descartam relação entre vacinas e autismo. Alerta sobre hepatite B é discutido no Brasil e nos EUA.
Desinformação sobre vacinas continua a circular com força nas redes, dificultando a adesão a campanhas de imunização. Em entrevista, representantes da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) defendem a continuidade das ações de vacinação e ressaltam a importância de manter a cobertura vacinal em patamares elevados para evitar retrocessos na prevenção de doenças como o sarampo e a hepatite B. O Juarez Cunha, diretor da SBIm, enfatiza que campanhas de reforço precisam chegar a toda a comunidade.
Sobre a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, Cunha destaca que o objetivo é manter a população protegida. Ele cita que muitos boatos que circulam não resistem aos dados científicos, já que a relação entre vacinas e autismo foi desmentida por diversos estudos.
O assunto também envolve reflexos internacionais. Em agosto, o governo dos Estados Unidos anunciou mudanças no calendário da hepatite B logo após o nascimento, restringindo a aplicação apenas a crianças de alto risco. A SBIm aponta que medidas assim podem influenciar práticas em o Brasil, onde alguns pais optam por não vacinar ao nascer em maternidades privadas. Em comentário a esse panorama, Cunha ressalta que, no caso da hepatite B, a probabilidade de evolução para doença crônica varia conforme a faixa etária: nos adultos, ele afirma que há 90% de chance de não evoluir para uma doença crônica, enquanto, na infância, a chance de se tornar crônica chega a 90%.
Para reduzir riscos, a SBIm defende a manutenção de uma cobertura vacinal de pelo menos 95% e reforça que campanhas de vacinação devem alcançar toda a comunidade, independentemente de correntes de desinformação ou de mudanças políticas. Além disso, a entidade reforça o papel das autoridades de saúde na preservação de padrões de imunização, mantendo o foco na saúde pública.
Fonte: Agência Brasil, com adaptação editorial do PrimeiroJornal. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, a SBIm reforça a importância da tríplice viral e da manutenção de 95% de cobertura vacinal.
Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil
