Resumo
- El Niño pode ter intensidade sem precedentes, alterando padrões de chuva e gerando calor extremo ou inundações em distintas regiões, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
- Relatório do PNUMA aponta metas de redução de emissões: 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040; planos atuais são significativamente menos ambiciosos.
- Aquecimento global previsto: 2,8°C até 2100 com políticas atuais; 2,6°C se compromissos existentes forem plenamente implementados.
- Reafirmação de metas do Acordo de Paris (bem abaixo de 2°C, idealmente 1,5°C) e possibilidade de retorno a 1,5°C até 2100, dependendo de remoção de carbono em larga escala.
Fontes: Organização Meteorológica Mundial (OMM) e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Em relatório divulgado nesta quarta-feira, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que o El Niño pode apresentar intensidade sem precedentes, rompendo padrões observados nas últimas quatro décadas. A diretora da OMM, Celeste Saulo, enfatizou que o fenômeno deve provocar ondas de calor e alterações na chuva, com impactos variáveis por região.
O Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) aponta que as emissões de gases de efeito estufa precisam cair 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040. Segundo o texto, planos nacionais atuais reduziriam apenas 5% a 8% até 2030 e 11% a 15% até 2035.
O documento projeta um aquecimento global de 2,8°C até 2100 se as políticas atuais permanecerem, ou 2,6°C caso os compromissos climáticos existentes sejam implementados integralmente. Ambas as leituras superam as projeções do ano anterior, refletindo a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e revisões nas emissões históricas.
À margem, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, destacou, em preparativos para a COP31 na Turquia, que é crucial não desistir dos esforços para reduzir as emissões, diante dos desastres naturais alimentados pelo aquecimento global, como inundações e incêndios.
“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos manter esse aumento o menor e mais curto possível – e fazer com que as temperaturas voltem a ficar abaixo de 1,5 grau até o final do século.”
Segundo o Acordo de Paris de 2015, as nações concordaram em manter o aumento médio de temperatura bem abaixo de 2°C e, idealmente, em 1,5°C.
O PNUMA acrescenta que o cenário de ultrapassagem mais baixo ofereceria cerca de 50% de chance de que as temperaturas retornem a 1,5°C ou menos até 2100, desde que haja remoção de carbono em larga escala — cuja viabilidade ainda é incerta.
O relatório também indica que os planos climáticos apresentados desde o ano passado praticamente não alteraram as projeções de aquecimento futuro.
Fontes: Organização Meteorológica Mundial (OMM) e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

