Resumo: San José, Costa Rica, sedia o fórum Saúde como Investimento (6-8/10) sobre o marco legal de pesquisas clínicas no Brasil.
Resumo: Lei 14.874, sancionada em 2024 e regulamentada em 2025, cria o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos.
Resumo: Prazos de análise: parecer ético em até 30 dias; avaliação da Anvisa em até 90 dias; possibilidade de paralelismo.
Resumo: Interfarma aponta avanço do Brasil no ranking global de testes clínicos, com investimentos acima de R$ 2 bilhões ao ano.
San José, Costa Rica — O marco legal para a realização de pesquisas clínicas no Brasil está impulsionando a participação do país em estudos globais, segundo pesquisadores e representantes da indústria reunidos no fórum Saúde como Investimento, realizado entre os dias 6 e 8 de outubro.


Interfarma aponta que a posição brasileira no ranking de países que realizam esses testes subiu da 18ª para a 12ª posição entre 2025 e o primeiro semestre de 2026, com a expectativa de alcançar a 10ª posição em breve, impulsionada por investimentos previstos superiores a R$ 2 bilhões ao ano.
A Lei 14.874, conhecida como Lei de Pesquisa Clínica, tramitou no Congresso por quase uma década e foi sancionada em maio de 2024, com regulamentação pelo governo federal em outubro de 2025. Este é o primeiro marco legal sobre pesquisas clínicas no Brasil; até então, a atividade era regulada apenas por normas do Conselho Nacional de Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
As pesquisas clínicas são etapas fundamentais para o desenvolvimento de novos medicamentos, tecnologias e procedimentos de saúde. Geralmente envolvem três fases, com testes em um número crescente de voluntários, após comprovações bem-sucedidas em laboratório e em modelos animais.
No Brasil, a aprovação ética, comitês de pesquisa e a avaliação da Anvisa são etapas obrigatórias para validar a condução de estudos com seres humanos, assegurando direitos e segurança dos participantes.
Novos prazos A lei criou o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, reorganizando fluxos de trabalho entre comitês e encurtando prazos. O parecer ético deve ser emitido em até 30 dias úteis, e a avaliação pela Anvisa, em até 90 dias úteis, descontando recursos e esclarecimentos.
A presidente da Roche Brasil, Lorice Scalise, lembra que, em estudos multicêntricos recrutando participantes em várias cidades, o tempo de análise ética podia chegar a um ano; hoje, os dois processos podem ocorrer em paralelo.
“Vamos supor que tem dez centros participando de um estudo. Antes a gente precisava da aprovação do comitê de ética local de cada centro de pesquisa. Agora um comitê acreditado é responsável por fazer a comunicação com os demais e dar o parecer final”, explica.
Scalise avalia que a lei simplificou a análise regulatória sem perder o rigor. “A Anvisa é uma das agências mais renomadas, referência no mundo inteiro. A gente ainda tem alguns gargalos de fila, mas todas as questões estão sendo trabalhadas”, completa a executiva.
Crédito: Agência Brasil / EBC
Crédito: Agência Brasil / EBC
Resumo: Brasil avança em pesquisas clínicas com redução de prazos, atraindo mais ensaios de Fase 1/2 e fortalecendo a diversidade de voluntários. Roche Brasil projeta investir quase R$ 590 milhões por ano no país, com estudos sobre Alzheimer, Parkinson, câncer de mama, lúpus e novas opções de tratamento. A iniciativa envolve capacitação de centros regionais e integração com a agenda regional da América Latina.
Brasil está avançando na legislação de pesquisas clínicas, com a redução de prazos que aumenta a atratividade do país para ensaios, especialmente nas Fases 1 e 2, que envolvem um número menor de participantes, mas exigem maior rigor na segurança.
Entre os componentes em curso, a Roche Brasil projeta investir cerca de R$ 590 milhões por ano em pesquisas no Brasil, com estudos já em andamento para Alzheimer, Parkinson, câncer de mama, lúpus e uma nova opção de caneta emagrecedora.
De acordo com a presidente da Roche Brasil, a redução dos prazos aumentou a atratividade do Brasil, que já é um destino valorizado para pesquisas clínicas por causa da diversidade genética dos voluntários, o que produz resultados confiáveis para populações variadas.
A nova legislação também possibilita que o país receba mais ensaios de Fase 1 e Fase 2, que envolvem uma quantidade menor de pessoas, mas têm exigências mais rígidas, já que a segurança do medicamento em humanos ainda está sendo avaliada.
Somente a Roche pretende investir nessa direção, fortalecendo o ecossistema de pesquisas no Brasil e impulsionando o desenvolvimento de novos fármacos.
A diretora de investigação clínica da farmacêutica, Danielle Galbiatti, destaca que essas cifras também promovem o desenvolvimento do setor científico do país:
É um movimento de união com centros de pesquisa, laboratórios. Com essa projeção e a vinda de novos estudos, existe a necessidade de capacitar os profissionais e as unidades
Com isso, a indústria também vem investindo na capacitação de centros das regiões Norte e Nordeste, para diminuir a concentração do Sul e Sudeste e garantir mais diversidade genética, social e cultural. “Um estudo é um ambiente controlado. O centro de pesquisa tem que ter uma equipe muito bem estruturada, porque esse paciente precisa de uma assistência diferente”, complementa Galbiatti.
Ela enxerga o Programa Nacional de Inovação em Saúde, lançado em julho pelo governo federal, como motor para o aperfeiçoamento do país: entre seus princípios estão o fortalecimento da base científica nacional, a integração com o setor produtivo e o incentivo ao desenvolvimento de tecnologias emergentes e disruptivas de interesse do Sistema Único de Saúde (SUS).
América Latina
Os esforços do Brasil estão alinhados com a agenda da região. O diretor estratégico do Conselho Administrativo da Fundação de Pesquisa e Inovação da Costa Rica, Mario Urcuyo, afirmou que a profissionalização dos centros de pesquisa da América Latina é a parte mais importante para enfrentar a concentração de pesquisas clínicas nos Estados Unidos e na Europa.
“Temos um desafio muito importante, porque nem sempre contamos com coordenadores e monitores de pesquisa. Não existem carreiras profissionais específicas para essas funções e precisamos desenvolver essa estrutura ao longo do tempo”, acrescentou.
Conforme ele, ampliar o número de profissionais atuando na pesquisa clínica também gera benefícios aos pacientes, ao ampliar o acesso a tratamentos promissores:
Proporciona ferramentas para melhorar a qualidade da assistência, porque os profissionais passam a ter acesso aos mais elevados padrões de qualidade, exigidos para a realização das pesquisas
Urcuyo defendeu ainda que as pesquisas clínicas oferecem uma grande oportunidade para pessoas com doenças graves terem acesso a medicamentos promissores.
Resumo: Brasil sedia debate sobre regulamentação regional de tratamentos promovido pela Roche. A pesquisadora mexicana Fedra Irazoque, do Centro Médico Nacional 20 de Novembro, aponta benefícios para pacientes do grupo de comparação que não recebem a substância, mesmo no regime placebo. O objetivo é harmonizar normas entre Brasil, Costa Rica e México para agilizar aprovações, com participação de repórter convidada pela empresa.
Brasil sediou, em evento promovido pela Roche, um debate sobre a regulamentação regional de tratamentos farmacêuticos. O encontro reuniu especialistas e representantes da indústria, incluindo a pesquisadora **Fedra Irazoque**, do Centro Médico Nacional 20 de Novembro, referência em pesquisa de alta complexidade no México.
Durante a apresentação, Irazoque acrescentou que mesmo os participantes incluídos no grupo de comparação, e que não recebem a substância pesquisada, são beneficiados:
“Estar no grupo placebo não significa ficar sem receber nenhum medicamento, mas sim receber o melhor tratamento já existente. E após algumas semanas, esse paciente também passa a receber a molécula ativa e pode se beneficiar da mesma forma”
A pesquisadora defende que marcos regulatórios, como o que foi aprovado no Brasil, sejam estabelecidos a nível regional. “Não é possível que o Brasil tenha uma regulamentação, a Costa Rica outra, o México outra, sem que cheguemos a um acordo para agilizar esse processo. Assim, poderíamos alcançar uma representatividade muito mais significativa”
*O evento foi realizado pela farmacêutica Roche e a repórter participou a convite da empresa

