Resumo: PF deflagra a operação Backbone no Rio de Janeiro para desarticular facção que controla o monopólio da internet em comunidades da cidade; 23 prisões preventivas e 24 buscas e apreensões autorizadas pelo STF com aval do ministro Alexandre de Moraes; bloqueio de R$ 558 milhões de bens foi determinado; ações ocorrem em RJ e outras cidades da região.
Rio de Janeiro, RJ — A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (19/10/2026), a operação Backbone, destinada a desarticular uma facção criminosa que impõe o monopólio do fornecimento de internet em diversas comunidades da cidade e da região, valendo-se de ameaças e do uso de armas para manter o controle das redes de telecomunicação.

Crédito: PF/Divulgação.
Foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, com autorização do ministro Alexandre de Moraes. A Justiça também bloqueou R$ 558 milhões em bens ligados ao esquema, segundo as investigações.
Segundo apurações, traficantes armados cortam cabos, incendiam caixas de distribuição de operadoras regulares e impedem reparos, obrigando moradores e comércios a contratar a chamada “internet do tráfico”. As operações ilegais são remuneradas por meio de uma tarifa de uso do sistema, paga aos responsáveis para manter o controle territorial.
A apuração aponta que a facção movimentava receitas por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, camufladas em atividades legítimas como produtoras de eventos, imóveis de alto padrão, publicidade e até criptoativos, fortalecendo as bases de uma rede criminosa que domina diversos complexos.
Um dos líderes históricos da facção, preso há quase três décadas e atualmente custodiado no Sistema Penitenciário Federal, é apontado como responsável por manter o comando das operações junto a familiares e outros integrantes da organização, ainda após o deslocamento de parte da atuação para estruturas externas ao território carcerário.
As diligências ocorrem no estado do Rio de Janeiro, incluindo Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte das medidas também envolve o sistema prisional, com cumprimento de ordens no interior de unidades prisionais, conforme os autos da investigação.
A PF reforça que a ofensiva continua, com a finalidade de interromper a rede criminosa, cessar a exploração do serviço de internet ilícito e responsabilizar os envolvidos pela prática de crimes contra o patrimônio público e privado, bem como pela violação de direitos dos moradores das áreas afetadas.
Este material foi apurado pela PF com base nos autos do processo e nas informações fornecidas pelas autoridades competentes, representando uma etapa importante no enfrentamento à violência e à criminalidade organizada na região.
Penitenciário Federal foi o cenário de uma operação da Polícia Federal que bloqueou ativos de um grupo criminoso, com valores estimados em R$ 558 milhões, atingindo 40 pessoas físicas e 42 empresas.
A Polícia Federal informou que, para assegurar a continuidade do serviço de telecomunicações nas áreas afetadas, a Anatel será oficiada para cassação das outorgas e interdição dos serviços prestados pelas empresas integrantes do grupo.
Entre os crimes que podem ser imputados aos investigados está o domínio social estruturado, prática que envolve violência, ameaça e coerção para impor controle territorial e social, bem como a intimidação de populações e autoridades.
Além disso, os investigados poderão responder por extorsão majorada, interrupção de serviços de utilidade pública, desenvolvimento clandestino de telecomunicações, lavagem de dinheiro e outras infrações que podem surgir durante as apurações.
As medidas visam desarticular a organização criminosa e assegurar a continuidade de serviços nas localidades afetadas, enquanto as investigações prosseguem para esclarecer responsabilidades e eventual participação de terceiros.

