Resumo: PF deflagra a Operação Lemming em Roraima e prende Jalser Renier, ex-presidente da ALE-RR, suspeito de crimes eleitorais. Seis mandados de busca e apreensão; valor total de até R$ 4,228 milhões e 12.175 registros em planilhas apontam pagamentos a eleitores sob a rubrica BU. Investigação envolve familiares e coordenadores de campanha ligados a Jalser e à prefeitura de Boa Vista.

Boa Vista, RR — A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, a Operação Lemming, que resultou na prisão preventiva do Jalser Renier, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), sob suspeita de envolvimento em crimes eleitorais ligados a supostos pagamentos a eleitores durante a campanha de 2026. A ação ocorreu em Boa Vista e em outros municípios de RR, conforme apurações da PF.
De acordo com as informações oficiais, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Boa Vista, Cantá e Caracaraí. As medidas cautelares incluem a proibição de contato entre investigados, impedimento de saques em espécie e o bloqueio de bens e valores até R$ 4.228.100.
Entre os investigados estão pessoas ligadas à coordenação de campanha, incluindo Itelvina da Costa Padilha — mãe de Jalser; Rosilany Maria Marques Pereira Stefanello — coordenadora de campanha com vínculo a 1.046 eleitores e R$ 313,8 mil; Marcio Jose Bergmann — coord. no Cantá, ligado a 600 eleitores e R$ 180 mil; Daniel Cavalcante Rigo — coord. em Caracaraí, com 500 eleitores e R$ 250 mil; Rosineide Araujo Xavier — coord. em Boa Vista, ligada a 470 eleitores e R$ 94 mil; e João dos Santos Moura — coord. em Boa Vista, ligado a 220 eleitores e R$ 66 mil.
A ação acontece uma semana depois da prisão em flagrante de Jalser, em 24 de setembro, também em Boa Vista, sob suspeita de compra de votos. Na ocasião, foram encontrados R$ 19,1 mil em dinheiro em um closet do candidato e planilhas relacionadas à campanha, com registros indicando pagamentos de R$ 200 a R$ 500 por eleitor, sob a rubrica BU, associada à prática de “boca de urna”.
Jalser Renier já ocupou a cadeira de presidente da ALE-RR, mas foi cassado após a acusação de ordenação de sequestro de uma jornalista em 2020; em 2021, também chegou a ser preso em razão desse caso. Na nova etapa da investigação, a PF continua levantando elementos sobre o suposto esquema de financiamento de campanhas e a participação de outros investigados no interior de RR.
Crédito: SupCom/ALE

