Resumo: Em Cansanção, Bahia, a prefeita Vilma Rosa de Oliveira Gomes nomeou a própria filha para o cargo de chefe de gabinete, publicado em 16 de outubro. A decisão levanta suspeitas de nepotismo, enquanto informações do G1 apontam que o documento não detalha remuneração, formação ou critérios de seleção. Em 2024, Vilma e Pollyanna foram condenadas por lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Making Of.
Cansanção, Bahia — A prefeita Vilma Rosa de Oliveira Gomes, conhecida como “Vilma Gomes A Mamãe”, nomeou a própria filha para o cargo de chefe de gabinete municipal. A nomeação de Pollyanna Oliveira Gomes foi publicada no Diário Oficial do Município no último dia 16 de outubro. O documento indica que Pollyanna ocupará um cargo comissionado, mas não informa remuneração, formação profissional ou critérios de seleção. Conforme informações divulgadas pelo G1, a prefeitura não se manifestou sobre o fato até a tarde desta quarta-feira (21).
A nomeação reacende o debate sobre nepotismo na gestão pública. A legislação brasileira tem restrições, especialmente pela Sumula Vinculante n° 13 do STF, que limita a nomeação de parentes até o terceiro grau para cargos comissionados e funções de confiança. Embora haja discussões sobre exceções para cargos de natureza política, o texto não garante que o cargo de chefe de gabinete se enquadre automaticamente nessas exceções.
Condenações. Em agosto de 2024, Vilma Gomes e Pollyanna foram condenadas pela Justiça Federal a sete anos, um mês e quinze dias de prisão, cada uma, por lavagem de dinheiro. O ex-prefeito Ranulfo da Silva Gomes — marido de Vilma e pai de Pollyanna — recebeu pena de nove anos, dez meses e três dias. O Ministério Público Federal aponta que os três participaram de ocultação de recursos desviados entre 2011 e 2014, com movimentações superiores a R$ 26,5 milhões.
O caso integra a Operação Making Of, deflagrada em novembro de 2015 para apurar fraudes em contratos entre a prefeitura e empresas ligadas ao então gestor e a familiares. Na época, Vilma erasecretária municipal de Saúde e Pollyanna administrava a Taveira Comercial de Combustíveis, também investigada. A investigação indicou irregularidades em licitações municipais e o uso de contas para dificultar a identificação da origem dos recursos, segundo a sentença da 2ª Vara Federal Criminal de Salvador.
Processo. O caso foi encaminhado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) em 28 de abril do ano passado, para avaliação dos recursos apresentados contra a decisão, conforme apuração do tribunal.
