Quase nove de cada dez conteúdos de saúde virais são falsos, aponta Lupa

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo

  • 87,3% dos conteúdos virais de saúde avaliados pela Lupa entre março de 2017 e junho deste ano eram falsos (764 materiais, 667 inverídicos).
  • Relatório “Raio-X da Desinformação em Saúde”, com apoio da Afya, traz panorama de táticas da desinformação e tema?alvo de vacinas.
  • Principais estratégias: falsa autoridade médica (21,6%), medo/alarmismo (17%), distorção de estudos (15,7%), soluções simples para problemas complexos (12,6%).
  • Vacinas mantêm trajetória de desinformação: 86,9% das 244 alegações avaliadas foram falsas; pico de 38,9% (2022–2024), recuo para 20% (2025–junho/2026).

A Lupa, a primeira agência brasileira a trabalhar com checagem de informações, divulgou um relatório que aponta padrões persistentes de desinformação em saúde. Intitulado Raio-X da Desinformação em Saúde, o estudo analisa conteúdos virais ao longo de mais de uma década, com apoio da instituição de ensino médico Afya.

O levantamento indica que, entre março de 2017 e junho deste ano, 87,3% dos materiais sobre saúde classificados como virais apresentavam afirmações falsas, em uma amostra de 764 conteúdos, dos quais 667 foram considerados inverídicos. O relatório detalha as estratégias usadas para disseminar informações enganosas, desde a adoção de linguagem de autoridades até promessas de cura rápidas para problemas complexos.

“Um dos maiores desafios da desinformação em saúde é que ela se apropria da linguagem e da autoridade de médicos, pesquisadores e instituições para parecer legítima”, afirma Cristina Tardáguia, fundadora da Lupa.

Ao longo de nove anos de atuação, os temas mais frequentes nas checagens incluem covid-19 (61%), tratamentos, cura e prevenção (34%) e alimentos, bebidas e nutrição (24%). O documento também analisa a estratégia de disseminação, apontando que a falsa autoridade médica ou científica responde por 21,6% dos casos, seguida pelo medo (17%), pela distorção de estudos (15,7%) e por soluções simplificadas para problemas complexos (12,6%).

“Hoje, o profissional de saúde precisa estar preparado não apenas para diagnosticar e tratar, mas também para ajudar o paciente a navegar em um ambiente de excesso de informações, muitas delas sem respaldo científico”, afirma o vice-presidente Médico e de Relações Institucionais da Afya, Gustavo Meirelles.

Desinformação sobre vacinas continua a representar uma parcela relevante das checagens. Antes da pandemia, conteúdos sobre vacinas correspondiam a 9,1% das verificações de saúde; durante a emergência sanitária esse share subiu para 33,2% e, entre 2022 e 2024, chegou a 38,9%. No recorte mais recente, até junho de 2026, o volume recuou para 20%, ainda acima do patamar pré?pandemia. Entre 244 alegações sobre vacinas analisadas no período completo, 212 (86,9%) foram classificadas como falsas pela agência após checagem.

Os dados ressaltam a necessidade de leitura crítica e orientação profissional frente a um ambiente de desinformação persistente. A Lupa enfatiza que o desafio não é apenas identificar conteúdos falsos, mas também orientar o público sobre como navegar por informações com respaldo científico.

Resumo: A Agência Lupa checou 498 conteúdos entre março de 2017 e junho de 2026, mostrando que o WhatsApp foi a via predominante na circulação de desinformação em saúde. Menos de 142 conteúdos mencionaram figuras públicas (Jair Bolsonaro, Bill Gates, Drauzio Varella, João Dória e Lula), sem indicar endosso. Facebook aparece em 126 checagens (25,3%) e Instagram em 35 (7%). A Lupa ressalta que a origem das informações pode variar entre plataformas e que o canal de verificação é acionado pelo próprio aplicativo.

Entre março de 2017 e junho de 2026, a Agência Lupa analisou 498 conteúdos relacionados à desinformação em saúde. A maioria das verificações partiu do WhatsApp, plataforma que respondeu por mais de 70% das checagens, conforme dados divulgados pela própria Lupa.

Ao lado das mensagens encaminhadas, a pesquisa aponta a participação de outras redes: o Facebook aparece em 126 checagens (25,3%), seguido pelo Instagram, com 35 (7%). A Lupa, porém, ressalta que tais números não comprovam que o WhatsApp seja a origem da desinformação, já que conteúdos podem transitar por várias plataformas antes de chegar ao público.

A agência também esclarece que o fluxo de conteúdos é dinâmico e pode envolver diferentes vias de circulação. Além disso, a verificação de fatos é acionada por meio de um canal próprio dentro do aplicativo, reforçando a importância de checagens rápidas e de fontes confiáveis no ambiente digital.

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