Embaixada dos EUA aponta vitória de Lula como definitiva e não vê efeito do horário ampliado
Resumo: Embaixada dos EUA em Brasília classifica a vitória de Lula no 2º turno como definitiva e surpreendente. Documento aponta eleição majoritariamente pacífica e extensão de votação sem impacto no resultado. Observadores da OEA não duvidaram dos resultados; Trump volta a criticar o processo.
Palavras-chave: Lula, eleição brasileira, Embaixada dos EUA, Brasília, OEA, TSE, STF, Trump
Brasília — A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília encaminhou, nesta segunda-feira (26), a órgãos governamentais norte-americanos, incluindo o Departamento de Estado, um relatório diplomático classificando a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no 2º turno como definitiva e surpreendente. O documento aponta que o pleito ocorreu de maneira majoritariamente pacífica, apesar de registros pontuais de dificuldades operacionais em algumas regiões. O texto obtido pela Folha de S. Paulo na sexta-feira (30) indica que a extensão do horário de votação por duas horas, autorizada pelo STF, teve impacto insignificante no resultado.
Conforme dados do TSE citados no relatório, apenas 34 mil votos (cerca de 0,03% do total) foram depositados após as 17h, montante insuficiente para alterar a margem de aproximadamente 4,4 milhões de votos que consolidou a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro.
O parecer também ressalta a validação do pleito por missões internacionais, destacando que observadores da OEA declararam não ter nenhuma dúvida sobre os resultados.
Apesar de aliados do candidato derrotado e do próprio Flávio Bolsonaro terem classificado o desfecho como “impossível de aceitar”, o relatório aponta que lideranças do campo conservador reconheceram publicamente o resultado.
A avaliação técnica da embaixada contrasta com as declarações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem questionado reiteradamente a lisura do processo eleitoral brasileiro. Na segunda-feira (26), Trump afirmou que “a impressão que passou para o mundo foi terrível. Eleições precisam ser indiscutíveis”. Já na quinta-feira (29), ele voltou a criticar a votação, indicando que pretende dialogar com o presidente reeleito: “Vou falar com ele, mas acho que a eleição no Brasil foi uma vergonha”. Questionado sobre quem considerava vencedor legítimo, Trump evitou responder diretamente: “Não quero comentar, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro. O atual presidente me pediu para não tomar partido, e eu não tomei. Mas, quando vi o que aconteceu no Brasil, achei uma vergonha.”





