Balança comercial registra recorde de superávit em outubro, maior desde 1989
RESUMO: Em outubro, a balança comercial brasileira fechou com o maior superávit do mês em 37 anos, puxado por petróleo, combustíveis, cereais e soja. Exportações chegaram a US$ 31,51 bilhões e importações a US$ 24,82 bilhões, resultando num saldo de US$ 9,32 bilhões.
A divulgação, feita pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aponta ainda que a corrente de comércio atingiu US$ 56,33 bilhões, o maior valor já registrado para outubro na série histórica, com avanço de 17,7% na comparação anual.


Principais números
- Superávit: US$ 9,32 bilhões (+39,4% ante outubro de 2024)
- Exportações: US$ 31,51 bilhões (+20%)
- Importações: US$ 24,82 bilhões (+14,8%)
- Corrente de comércio: US$ 56,33 bilhões (+17,7%)
Atenção: o crescimento das exportações, em torno de 20%, sustentou o resultado, que representa o melhor para outubro desde o início da série histórica, em 1989.
Exportações
O avanço das vendas externas foi liderado pela indústria extrativa, seguido pela agropecuária e pela indústria de transformação.
Resultado por setor:
- Indústria extrativa: US$ 11,52 bilhões (+53,5% ante outubro de 2024);
- Indústria de transformação: US$ 18,38 bilhões (+7,7%);
- Agropecuária: US$ 7,63 bilhões (+12,8%).
Produtos em destaque:
- Indústria extrativa: petróleo bruto (+122,6% ante outubro do ano anterior), minérios de metais e concentrados (+900,6%);
- Indústria de transformação: combustíveis (+164,5%), farelos de soja (+39,1%);
- Agropecuária: soja (+8,9%), animais vivos, exceto pescados (+212,1%), centeio e aveia (de US$ 2,8 milhões para US$ 338,8 milhões, alta expressiva de recursos por diferenças no cronograma de embarque).
No caso do petróleo, o aumento da produção aliado a uma elevação de 36,7% nos preços médios — consequência de tensões no Oriente Médio — ajudou a impulsionar as exportações do setor.
Destinos das vendas
As exportações avançaram para a maioria dos principais mercados, incluindo a União Europeia, América do Norte, América do Sul e Ásia; houve queda de 5,3% nas vendas para a China devido ao fim da cota para carnes.
Quem comprou do Brasil
- Europa: US$ 7,76 bilhões (+35,8%)
- América do Norte: US$ 5,66 bilhões (+47,4%)
- América do Sul: US$ 4,58 bilhões (+14,9%)
- Ásia: US$ 15,41 bilhões (+9,3%)
As vendas para os Estados Unidos avançaram 11,4% em outubro, ainda diante da aplicação de novas tarifas sobre alguns produtos, pois itens como aeronaves e suco de laranja foram excluídos do regime tarifário após negociações. No acumulado do ano, as exportações para os EUA registram crescimento próximo de zero, com alta de 0,2%.
União Europeia: o desempenho pode ser explicado pelo acordo entre Brasil e Mercosul, que está estimulando o comércio com o bloco.
As compras brasileiras no exterior cresceram 14,8% em outubro, impulsionadas principalmente por combustíveis, cujos preços subiram 84,2% frente ao mesmo mês de 2025. A análise por categoria revela diferentes ritmos de evolução entre bens de capital, intermediários, de consumo e combustíveis.
Importações por categoria
- Bens de capital: US$ 3,7 bilhões (+4%);
- Bens intermediários: US$ 15,2 bilhões (+2,7%);
- Bens de consumo: US$ 5,1 bilhões (+25,9%);
- Combustíveis: US$ 4,5 bilhões (+86,8%, impulsionados pela alta de 84,2% no preço).
No caso dos bens de capital, a desaceleração da economia provocada pelas altas taxas de juros tem freado os investimentos industriais, principal destino de máquinas e equipamentos.
Acumulado de 2026
De janeiro a outubro, a balança comercial registrou superávit de US$ 71,04 bilhões, um aumento de 34,1% em relação a 2025.
- Exportações: US$ 321,88 bilhões (+11,2%);
- Importações: US$ 250,84 bilhões (+6,1%);
Projeções
Em outubro o MDIC revisou para baixo a projeção para 2026. A estimativa de superávit da balança comercial passou de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões.
Mesmo assim, esse resultado seria o segundo melhor da série histórica, iniciada em 1989, ficando atrás apenas de 2023 (US$ 98,8 bilhões).
A previsão de exportações foi reduzida de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões. A projeção para as importações caiu de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões.
A estimativa para 2026, segundo o boletim Focus, aponta um superávit de US$ 79,9 bilhões, mantendo um viés menos otimista frente às previsões de algumas instituições financeiras.





