Ex-capitão da PM baiana dissemina informações falsas para despistar fuga de Flávio Bolsonaro
RESUMO: Ex-capitão da Polícia Militar da Bahia, André Porciúncula, próximo à família Bolsonaro, é apontado em apuração de Bela Megale (O Globo) e corroborada pela Folha de S.Paulo como participante de uma estratégia para disseminar informações falsas sobre a saída de Flávio Bolsonaro aos EUA após a derrota de Lula; Eduardo Bolsonaro estaria no núcleo da operação.
O ex-capitão André Porciúncula, cuja proximidade com o grupo próximo de Jair Bolsonaro é enfatizada por anos, é destacado como um elo em uma suposta estratégia para confundir jornalistas sobre o deslocamento do senador Flávio Bolsonaro. A apuração cita que Eduardo Bolsonaro coordenava a campanha de informações desviadas para dificultar o acompanhamento do trajeto do parlamentar, segundo Bela Megale, do jornal O Globo, e confirmação parcial pela Folha de S.Paulo.
De acordo com as informações divulgadas, as versões compartilhadas por Porciúncula teriam sido repassadas a ele pelo próprio Eduardo Bolsonaro, criando uma linha de atuação para confundir a imprensa sobre o itinerário do senador.
Entre as versões atribuídas ao caso, aliados de Eduardo chegaram a sustentar que Flávio Bolsonaro teria seguido uma rota pela Venezuela, quando, na prática, ele teria deixado o Brasil pela fronteira com a Argentina. A situação ocorre em meio a investigações em curso sobre a movimentação do senador.
TRAJETO ATÉ OS ESTADOS UNIDOS
Enquanto Porciúncula repetia aos jornalistas que Flávio já sabidamente embarcara para Miami, a apuração aponta que, na realidade, o senador ainda estava no Brasil, rumo à fronteira com a Argentina. Segundo autoridades migratórias argentinas, Flávio teria cruzado a Ponte Internacional Tancredo Neves até Puerto Iguazú por volta das 22h50 da terça-feira, acompanhado da esposa Fernanda Bolsonaro e das filhas do casal.
Relatos apontam que o parlamentar utilizou um passaporte italiano para ingressar na Argentina e, em seguida, embarcou em uma aeronave particular com escala em Guayaquil, no Equador, antes de chegar a Miami, na manhã de quarta-feira. A saída do país ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar que ele entregasse seus passaportes e ficasse impedido de deixar o território nacional. A Polícia Federal passou a investigar as circunstâncias da viagem.
As informações divulgadas como seções da operação não se mostraram compatíveis com a realidade naquele momento, e não há confirmação pública de acusações formais contra Porciúncula até o momento.
QUEM É ANDRÉ
André Porciúncula é descrito como um aliado próximo do núcleo mais próximo da família Bolsonaro, especialmente de Eduardo, com quem manteve relação de suporte político ao longo dos anos. A reportagem enfatiza esse vínculo como parte relevante para entender as dinâmicas de comunicação envolvidas na narrativa apresentada aos jornalistas.
RESUMO: Capitão da Polícia Militar da Bahia ganhou projeção nacional atuando na área cultural do governo federal sob Bolsonaro; hoje responde a processo na Justiça Militar, está na reserva e enfrenta questionamentos sobre patrimônio ligado à família Bolsonaro, incluindo Eduardo.
LIDE: André Porciúncula Alay Esteves, capitão da PM Bahia, ganhou notoriedade nacional ao ocupar cargos ligados à cultura na gestão de Jair Bolsonaro e, hoje, enfrenta processo na Justiça Militar após transferência para a reserva, além de ter seu patrimônio sob escrutínio por vínculos com a família Bolsonaro.
Nascido em Salvador, André Porciúncula Alay Esteves ingressou na Polícia Militar da Bahia em 2005 e chegou ao posto de capitão.
Ganhou projeção nacional durante o governo de Jair Bolsonaro ao migrar para a área cultural da administração federal, integrando a equipe de Mário Frias e chegando a chefiar a Secretaria Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, responsável pela gestão de recursos da Ley Rouanet.
DESAVENÇAS E DEFESAS Sua passagem pela pasta ficou marcada por embates com o setor artístico e pela defesa de mudanças na política de financiamento cultural. Em 2022, chegou a defender o uso de recursos da Lei Rouanet para produções de conteúdo pró-armamento e, ao fim daquele ano, assumiu o cargo de secretário especial de Cultura, função exercida nos últimos dias do governo Bolsonaro.
LAÇOS COM A FAMÍLIA BOLSONARO A atuação no governo consolidou a proximidade com a família do ex-presidente, especialmente com Eduardo Bolsonaro, com quem manteve relações empresariais nos Estados Unidos.
Em junho, Porciúncula foi transferido para a reserva remunerada proporcional da PMBA, após procedimentos administrativos relacionados à ausência de retorno às atividades. O caso chegou à Justiça Militar, que tramita um processo que pode resultar na perda do posto.
CANDIDATURAS E POLÍTICA Além da carreira militar e da passagem pelo governo federal, tentou ingressar na política pelo PL. Em 2022 disputou deputado federal pela Bahia e obteve 82.693 votos, sem ser eleito. Em 2024, concorreu ao cargo de vereador de Salvador, recebendo 2.758 votos.
Imóvel nos EUA e patrimônio declarado
A relação com Eduardo Bolsonaro ganhou destaque em reportagens sobre aquisição de imóvel nos Estados Unidos. Em maio, o jornal O Globo revelou a compra de uma residência no Texas, avaliada em aproximadamente R$ 3,8 milhões, por meio de um fundo administrado por um advogado de imigração ligado ao ex-deputado. A aquisição contrasta com o patrimônio declarado pela Justiça Eleitoral para a candidatura a vereador de Salvador, R$ 164 mil.
Questionado sobre a origem dos recursos, Porciúncula afirmou que dizia respeito à vida pessoal e, por não ocupar cargo público, não precisava prestar esclarecimentos.
De acordo com Liberdadenews, parceiro do PrimeiroJornal, a conjuntura envolve ligações com Eduardo Bolsonaro e questões sobre ativos no exterior.






