Governo Lula aprova PEC da Segurança Pública no 2º turno após vencer a oposição
RESUMO: O Senado aprovou em segundo turno a PEC da Segurança Pública por 75 votos, em meio a impasse sobre emendas para reduzir a maioridade penal; mudanças incluem polícias municipais, ampliação da PRF, expropriação de bens ligados ao crime e regras mais rígidas para criminosos.
Brasília – Em sessão nesta terça-feira (3), o Senado Federal aprovou, em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública por 75 votos a favor. A votação ocorreu após um impasse envolvendo requerimentos de partidos para que emendas sobre a redução da maioridade penal fossem analisadas separadamente da proposta principal. No primeiro turno, a PEC já tinha passado com 73 votos; são necessários 49 votos para aprovação, conforme o quórum exigido.
Mais cedo, os senadores decidiram não apreciar, junto à PEC, os destaques apresentados pelo PL e pelo PT que tratavam da redução da maioridade penal. O plenário, porém, aprovou dois requerimentos para que as propostas tramitem de forma independente. Entre as principais mudanças previstas no texto estão:
- Criação de polícias municipais: autoriza a formação de corporações municipais para atuar no policiamento ostensivo e comunitário.
- Ampliação das atribuições da PRF: permite que a Polícia Rodoviária Federal atue também no policiamento de hidrovias e ferrovias, além de prestar apoio a outras forças de segurança quando solicitada pelos governadores.
- Competência da União: mantém a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal sob competência privativa da União, bem como a definição de normas para atividades de inteligência.
- Expropriação de bens ligados ao crime: autoriza a expropriação de bens, direitos e valores econômicos envolvidos em atividades criminosas, atingindo organizações criminosas, grupos paramilitares e milícias privadas.
- Regras mais rígidas para criminosos: prevê o cumprimento de prisão em estabelecimento de segurança máxima ou de natureza especial, além de restrições à progressão de regime, à liberdade provisória (com ou sem fiança) e à saída temporária.
- Integração entre forças de segurança: estabelece forças-tarefa intergovernamentais e amplia a articulação entre os órgãos de segurança pública dos diferentes entes federativos.
Essa aprovação é considerada estratégica pelo governo federal, que pretende recriar o Ministério da Segurança Pública após a conclusão da tramitação da PEC. A ideia é estabelecer uma pasta permanente para coordenar as políticas do setor e ampliar a cooperação entre as forças de segurança dos diferentes entes da federação.
Antes do segundo turno, senadores discutiram o único destaque remanescente: uma emenda do PL para que o Fundo Nacional de Segurança Pública também financie ações das Forças Armadas de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). A emenda foi aprovada por 67 a 0.






