UNESCO aponta mais de 180 jornalistas mortos no mundo entre 2024 e 2025
RESUMO: Relatório da UNESCO aponta 189 jornalistas mortos no biênio 2024-2025, o maior total em uma década, com grande parte em zonas de conflito e ataques com drones.
Um balanço global aponta 189 jornalistas mortos entre 2024 e 2025, o maior número desde 2014-2015, segundo a UNESCO. Deste total, 127 mortes ocorreram em zonas de conflito (? 67%), e 50 casos envolveram drones. Fora dessas áreas, 62 mortes foram registradas, o menor registro em 18 anos, com 17 assassinatos em escritórios, 33 em veículos e 20 em domicílios; em alguns casos, jornalistas foram atingidos em contextos de manifestações ou pela atuação de forças de segurança.
O estudo estabelece que 104 mortes ocorreram enquanto jornalistas cobriam conflitos armados. Ainda, 38 mortes aconteceram em cobertura política, 22 em reportagens sobre atividades criminais e outras relacionadas à corrupção.
Entre as vítimas, 5 tinham idade entre 15 e 24 anos e 20 tinham entre 25 e 29. Mulheres responderam por 14 casos (7%), o menor percentual desde 2012-2013. Treze jornalistas foram mortos em países classificados como zonas de conflito.
A Palestina foi o local com mais mortes, totalizando 62 casos, o que representa cerca de um terço do total. No Brasil, houve apenas uma morte: Luis Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa, assassinado no estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba (Pará), em maio de 2025. A Polícia Civil do Pará informou que o inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça, com quatro indiciados.
O relatório também destaca a violência não letal contra jornalistas, como sequestros, desaparecimentos, detenções arbitrárias e ataques digitais vinculados ao gênero jornalístico, além de restrições de movimento.
Até o momento, a UNESCO contatou autoridades de 78 países com registros de violência contra jornalistas; 38 informaram ter adotado medidas para a proteção de profissionais. O Brasil, por sua vez, informou ter implementado o Protocolo Nacional para a Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, lançado em abril deste ano pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, incluído no repositório de mecanismos nacionais da UNESCO.






