Líder religioso é condenado a 200 anos de prisão por massacre que ceifou 191 vidas no Quênia
RESUMO: Tribunal queniano condena o líder de uma seita a 200 anos de prisão pela morte de 190 pessoas, em sua maioria crianças, ligado ao caso conhecido como massacre de Shakahola; outros cúmplices também foram condenados.
Em decisão histórica no Quênia, o líder Paul Nthenge Mackenzie foi condenado a 200 anos de cadeia pela participação nas mortes associadas ao movimento que liderava, conhecido como o massacre de Shakahola.
Relatórios do julgamento indicam que Mackenzie ordenava que os fiéis se dessem ao jejum extremo, prática executada com a pressão de integrantes da seita, resultando em uma série de óbitos. As informações sobre o veredito foram divulgadas pelo The New York Times e traduzidas pelo Estadão.
Ao todo, 28 pessoas foram condenadas por participação no massacre, entre elas pais que obrigaram seus próprios filhos a jejuarem. A maioria das crianças mortas tinha menos de 10 anos.
A promotoria havia pedido a pena de morte para Mackenzie; a juíza Diana Kavedza-Mochache, no entanto, rejeitou a solicitação, argumentando que, para indivíduos que veem a morte como libertação, a execução poderia ser interpretada como vitória ou martírio.
Mackenzie foi preso em 2023, após autoridades quenianas encontrarem corpos na Floresta de Shakahola, região remota do sudeste do país, próxima ao Oceano Índico. A seita operou aproximadamente entre 2019 e 2023.
Antes de conduzir o movimento, o ex-motorista de táxi e pregador televisivo era visto como líder de uma seita que se apresentava como refúgio para quem se preparava para o fim dos tempos, conforme registros do caso.
Em entrevista ao The New York Times, um ex-integrante afirmou que Mackenzie defendia que os pais obrigassem os filhos a jejuarem sob o sol, com a crença de que as crianças chegariam ao céu antes dos adultos.
O episódio ficou conhecido como o massacre de Shakahola e passou a compor a lista de ocorrências de mortes em massa associadas a grupos religiosos com doutrinas apocalípticas.






