Desemprego fica estável no país

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O desemprego nacional ficou estável em 11,1% nos primeiros três meses do ano frente ao trimestre anterior, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. Com relação ao primeiro trimestre do ano passado houve uma queda de 3,8 pontos percentuais, quando a taxa era de 14,9%. Segundo o IBGE, o número de desempregados ficou praticamente estável no início de 2022, em 11,9 milhões. A população desocupada era de 12 milhões nos três meses anteriores.
Vinte e seis das 27 unidades da Federação registraram taxa de desemprego considerada estatisticamente estável no primeiro trimestre, na comparação com os últimos três meses do ano passado. Em Minas Gerais, a taxa de desemprego nos três primeiros meses deste ano ficou em 9,3%, contra 9,4%no trimestre anterior, mas teve queda de 4,6 pontos percentuais em relação ao primeiro trimeste do ano passado, que o desemprego em Minas era de 13,9%. Ao fim dos três primeiros meses, o contingente de desempregados no estado chegou a 1,06 milhão.
As maiores taxas de desemprego registradas no Brasil no primeiro trimestre foram Bahia (17,6%), Pernambuco (17%) e Rio de Janeiro (14,9%). O Amapá foi o único a ter queda no índice, com redução de 17,5% para 14,2% no número de desempregados. Para a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, a queda, contudo, não se deve ao aumento no número de pessoas ocupadas, mas à menor pressão das pessoas sem trabalho buscando ocupação no estado. ???Houve uma queda de 7,3% no número de pessoas na força de trabalho e um aumento de 10,4% no contingente fora da força???, explicou
.
Já as menores taxas foram registradas em Santa Catarina (4,5%), Mato Grosso (5,3%) e Mato Grosso do Sul (6,5%). Em São Paulo, o desemprego ficou em 10,8% no primeiro trimestre, abaixo dos 11,1% registrados no quarto trimestre de 2021, embora seja classificado como estatisticamente estável pelo IBGE. Por se tratar de uma pesquisa de amostragem, o IBGE informa que há um intervalo de confiança para os dados, que varia de estado para estado.
Segundo Adriana Beringuy, a busca por vagas travada explica a taxa de desocupação estável. A estabilidade na taxa de desocupação chama a atenção, porque o início do ano é marcado pelo encerramento de contratos temporários, com elevação do nível de desocupação. A população ocupada com algum trabalho até recuou para 95,3 milhões de janeiro a março, mas em nível menos intenso do que em anos anteriores, destacou Adriana. A baixa foi de 0,5% (menos 472 mil pessoas) na comparação com o trimestre de outubro a dezembro.
???Se olharmos a desocupação em retrospecto, pela série histórica da pesquisa, podemos notar que, no primeiro trimestre, essa população costuma aumentar devido aos desligamentos. A Pnad envolve tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal. Ou seja, são avaliados desde empregos com carteira assinada e CNPJ até os populares bicos. A população fora da força de trabalho ??? que não estava ocupada nem desocupada ??? foi de 65,5 milhões no primeiro trimestre de 2022. Houve crescimento de 1,4% (mais 929 mil) ante o final de 2021.
Adriana lembrou que, no começo do ano, há alguns fatores sazonais que tendem a dificultar a procura por trabalho e a inserção no mercado. ???Tem a questão das férias. Muitas pessoas interrompem a busca por trabalho. Isso está mais relacionado a mulheres com filhos, por não ter creches funcionando. Também há estudantes (nessa situação), em virtude das férias”, apontou.
LONGA DURA????O 
A Pnad Contínua mostra que o desemprego de longa duração atinge 29% da população, os quais já procuram uma nova oportunidade de trabalho há pelo menos dois anos. A parcela é menor do que os 30,3% registrados no quarto trimestre, mas bem maior que os 23,5% contabilizados no mesmo período de 2021. Ao todo, no período de janeiro a março deste ano, eram 3,463 milhões de trabalhadores dos 11,949 milhões que não estavam trabalhando e buscavam oportunidades.
Se considerados todos que procuram emprego há pelo menos um ano, esse contingente em situação de desemprego de longa duração sobe a 5 milhões. Mais 4,88 milhões de brasileiros procuravam trabalho há um período entre um mês e um ano, o que equivale a 40,8% do total de desempregados. Os dados apontam ainda que 2,06 milhões tentavam uma vaga há menos de um mês, 17,2% do total.
RENDIMENTO 
O rendimento médio real mensal habitual foi calculado em R$ 2.548. O valor representa elevação de 1,5% em relação ao 4º trimestre de 2021, quando atingiu R$ 2.510. ?? também um recuo de 8,7% ante o 1º trimestre de 2021. Já tinha alcançado R$ 2.789. Em Minas Gerais, o rendimento real fechou o primeiro trimestre praticamente estável em R$ 2.245, o que representa uma queda de 5,6% em relação ao valor de R$ 2.401 verificado nos tês primeiros meses do ano passado.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Economia: Lula e Flávio divergem sobre ajuste fiscal e papel do Estado

Resumo: As propostas econômicas de Lula e Flávio Bolsonaro divergem na condução das contas públicas, na tributação...

Atividade econômica avança 0,3% em agosto, segundo IBC-Br

Resumo jornalístico: IBC-Br fica estável em agosto de 2026, com alta de 0,3% ante julho, segundo o Banco Central. Na comparação anual, avanço...

FMI projeta Brasil retomar posição de oitava maior economia até 2027

Resumo jornalístico Brasil deve retornar ao oitavo lugar no ranking do PIB até 2027, segundo o FMI; projeção aponta US$ 2,80 trilhões para aquele...