O acordo por uma aliança em Minas Gerais entre os pré-candidatos Alexandre Kalil (PSD) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançou ontem. Houve reunião com a participação do presidenciável petista e do deputado Reginaldo Lopes, pré-candidato ao Senado Federal, mas que pode deixar o páreo. ???Importante conversa hoje com Lula e com o companheiro Reginaldo Lopes, que vai conduzir a construção do palanque Lula-Kalil e coordenar a campanha de Lula e [Geraldo] Alckmin no estado. Juntos para vencer em Minas e no Brasil???, disse, no Twitter, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT.
O principal impasse para viabilizar a união Lula-Kalil, neste momento, é o Senado. O PSD não abre mão de tentar a reeleição de Alexandre Silveira, presidente da legenda em Minas, mas Reginaldo Lopes é o nome do PT. Segundo apurou o Estado de Minas, o petista vê com bons olhos, inclusive, uma chapa com dois postulantes ao Senado ??? o que dependeria de aval do Tribunal Superior Eleitoral.
Outra possibilidade seria o PT abrir mão de disputar o Senado ??? podendo, nesse caso, indicar o vice de Kalil. Por ora, o posto é do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Agostinho Patrus, que deixou o PV para se fiiar ao PSD, no fim de março. Na semana passada, o PT fez reunião para reafirmar a pré-candidatura de Reginaldo, mas interlocutores apontam que, ao afirmar que o deputado será o coordenador regional da campanha presidencial, Gleisi sinaliza que ele não deve tentar o Senado.
Reginaldo Lopes, por sua vez, se limitou a comemorar o posto estratégico que vai assumir na campanha nacional. “Recebi a missão de Lula para coordenar sua campanha e de Geraldo Alckmin em Minas. Continuamos os diálogos com o PSD e nossos aliados no projeto pela retomada da democracia e reconstrução do Brasil, que só é possível com Lula presidente”, afirmou ele pelo Twitter, ontem à noite. Antes dos contornos que geraram o imbróglio com o PSD e, posteriormente, o avanço de ontem, o deputado federal tinha claro que não tentaria novo mandato na Câmara. Tanto que distribuiu sua base eleitoral a colegas de partidos ??? a maior beneficiada foi Gleide Andrade, tesoureira nacional do PT, que deve tentar ser parlamentar por Minas.
LIDERAN??A
DO GOVERNO
Outro ponto que acena a favor da aliança, conforme apurou a reportagem, está no movimento que impediu Alexandre Silveira de assumir a liderança do governo de Jair Bolsonaro (PL) no Senado. Apesar das sondagens, ele foi demovido da ideia. Se aceitasse o convite, a união ao PT seria implodida antes mesmo de sair do papel. O PT reivindica espaço na chapa de Kalil. Se as candidaturas de Alexandre Silveira ao Senado e de Agostinho a vice-governador forem mantidas, os postulantes do grupo podem ser apenas de um partido.
A iminência do acordo com os pessedistas já é comemorada por parte do PT. “Lula e Kalil para derrotar Bolsonaro e Zema. Agora é definir o acordo programático: empresas públicas e não privatização, defesa do meio ambiente contra mineradoras, valorização do serviço público com piso da educação e SUS, agricultura familiar e direitos humanos”, afirmou o deputado federal Rogério Correia pelas redes sociais.
???Vamos marchar juntos???, diz o pré-candidato do PSD
Após declarar voto no pré-candidato do PT ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-prefeito de BH Alexandre Kalil (PSD) disse ontem quer pretende ???marchar??? ao lado do líder petista na disputa pelo governo mineiro. A despeito dos impasses que podem inviabilizar a aliança entre PT e PSD no estado, ele disse esperar ter o rótulo de “candidato de Lula” na corrida ao Palácio Tiradentes. “O presidente Lula anunciou para todo mundo que o candidato que ele quer é o Kalil. Eu já declarei, inclusive, o voto dele. Lula e Kalil não têm problemas. Vamos marchar juntos. Não vai haver o menor problema”, afirmou, em entrevista à sucursal da TV Alterosa na Zona da Mata e no Campo das Vertentes. Segundo Kalil, as conversas sobre eventual apoio dos petistas estão ???andando???.
Kalil afirmou que seguirá na direção oposta do governador Romeu Zema (Novo), que deve disputar novo mandato em outubro e que, embora tenha o presidenciável Felipe d’Avila em seu partido, vem sendo cortejado por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), também pré-candidato à reeleição. Parte dos liberais mineiros, aliás, defende o apoio ao governador em detrimento a Carlos Viana.
“Não sei a posição dele [Zema]. Vai de acordo com o que as pesquisas mostram. Kalil, não. Kalil vai com Lula. Espero que Kalil seja o candidato do Lula; e espero que Lula seja o candidato do Kalil. Que vamos marchar juntos, não há a menor dúvida. Sendo formal [ou não], é o que Lula e eu queremos”, afirmou o ex-prefeito.
A ideia do PT é reivindicar espaço na chapa liderada por Kalil. Se a candidatura de Alexandre Silveira ao Senado for mantida, os postulantes do grupo serão apenas de um partido. Isso porque o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Agostinho Patrus, favorito a ser o vice de Kalil, deixou o PV para se filiar ao PSD no fim de março. Ontem, Kalil deu continuidade à série de acenos emitidos a Lula. Ele falou sobre as ideias de ambos no campo social. Segundo o pessedista, o atual governo encontra defesa no que chamou de “elite estúpida”.
“Pensamos que é muito legal comer uma carne, que é muito feio comer osso; que é muito legal cozinhar com gás e muito feio cozinhar com lenha, que é muito legal ter o direito de tomar cerveja e reunir a família nos fins de semana. Pode parecer uma bobagem para a elite estúpida que tenta dominar o espaço dentro do Palácio Tiradentes, mas para quem perdeu isso, é coisa muito séria”, disse. Lula e Kalil conversaram por telefone no fim do mês passado. O bate-papo foi mediado por Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD.
???MARIDO
E MULHER???
Kalil disse também que a relação entre Zema e Bolsonaro se assemelha a “marido e mulher” e que a atual gestão estadual espalha “propaganda enganosa” e pensa apenas em uma “pequena bolha de empresários”. “[Bolsonaro] é o grande amigo dele, o compadre dele, e se tratam como marido e mulher. Ele não conseguiu tirar um convênio, um recapeamento de estrada ou colocar os hospitais funcionando, mas aprendeu a agressividade pessoal”, afirmou ele na entrevista à sucursal da TV Alterosa na Zona da Mata e no Campo das Vertentes.
Kalil e Zema trocaram farpas nas redes após o governador anunciar aumento no Piso Mineiro de Assistência Social. As cifras vão passar de R$ 54 milhões para R$ 81 milhões. Nas contas do pessedista, o montante geraria repasses anuais de R$ 30 aos 2,7 milhões de famílias beneficiadas pela verba. A comemoração de Zema por causa do crescimento do fundo em prol da Assistência Social foi chamada de ???sacanagem??? por Kalil.
O chefe do Executivo estadual foi às redes rebater. “Como a politicagem não descansa nem aos domingos, tem assombração que prefere a ignorância, mesmo que tenha recebido esse dinheiro pago pelo estado. Para quem abandonou a faculdade, mas se diz engenheiro, soa normal que não saiba fazer conta e prefira a mentira”. Kalil afirmou que o fato de não ter concluído o curso de engenharia civil “não desqualifica” os cálculos. “Acabou a farra da mentira. O que fiz não foi crítica; foi conta. Essa conta, a gente aprende no grupo escolar. Não precisa fazer curso de engenheiro para ver a aberração desumana que este governo, ligado a Jair Bolsonaro e apaixonado por Jair Bolsonaro, faz com o povo de Minas Gerais”, protestou.
Zema e Bolsonaro têm trocado afagos, mas em fevereiro deste ano o governador criticou o presidente. Ele tem dito que vai apoiar o pré-candidato de seu partido ao Planalto, Felipe d’Avila. Bolsonaro, por sua vez, tem o senador Carlos Viana (PL) como nome ao governo mineiro. Apesar disso, chamou Zema de ???exemplo para todos nós???, em abril.

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