Opinião: Debate sobre mensalidades em universidades públicas chega à eleição da Bahia – e vai embora

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Debate sobre mensalidades em universidades públicas chega à eleição da BA - e vai embora

Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

ACM Neto tem fugido da nacionalização do debate eleitoral como o diabo foge da cruz. Porém, por mais que ele se esforce, alguns temas vêm do plano federal e reverberam facilmente. Um exemplo disso foi o debate sobre a cobrança de mensalidades em universidades públicas, no âmbito da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. A matéria, polêmica desde o nascimento, não foi debatida por Jair Bolsonaro ou por Luiz Inácio Lula da Silva, mas respingou na corrida eleitoral da Bahia. Complicado?

Originalmente, a PEC foi apresentada pelo deputado federal Coronel Peternelli, bolsonarista egresso do PSL e que permaneceu no União Brasil. O texto é relatado pelo correligionário Kim Kataguiri, um bolsonarista enrustido. E foi pautado na CCJ pelo baiano Arthur Maia – que nunca se declarou efetivamente bolsonarista, mas sempre incorporou o antipetismo e votou com o governo Bolsonaro ao longo do mandato. Ou seja, o assunto voltou a ser discutido basicamente por ação de representantes do União Brasil, partido de ACM Neto.

Foi assim que esse tema motivou acusações de que o ex-prefeito de Salvador é favorável à cobrança de mensalidades em universidades públicas, ainda que o próprio ACM Neto não tenha se manifestado recentemente sobre o tema. ?? uma questão sensível e em que cabem reflexões diversas. Desde as formas de financiamento ao Ensino Superior público à manutenção dos privilégios da elite econômica brasileira, que banca os filhos em colégios particulares até o Ensino Médio e ocupa vagas nas melhores universidades públicas sem custo adicional para tanto. No entanto, em uma campanha eleitoral, uma discussão como a proposta por Peternelli será sempre rasa, querendo ou não.

Ainda nessa superfície, o adversário de ACM Neto, Jerônimo Rodrigues, resolveu se manifestar sobre o assunto. Como ex-secretário estadual de Educação – e professor de uma universidade estadual -, Jerônimo foi incisivo ao falar ser contra a cobrança de mensalidades. E, tal qual o próprio partido, tentou jogar no colo do ex-prefeito a conta da ação dos membros do União Brasil para liberar essa cobrança. Só que Jerônimo esqueceu de combinar o discurso com o próprio padrinho político e, por mais que negue, o tiro saiu pela culatra: em 2019, o governador Rui Costa foi quem defendeu a rediscussão do financiamento das universidades públicas incluindo a possibilidade de cobrança de mensalidade.

Assim, um tema nacional chegou à eleição local, mas deve morrer na mesma velocidade com que apareceu. ACM Neto não vai tratar do assunto, pois não é algo que lhe caiba estrategicamente. Jerônimo, se tratar, vai continuar expondo as contradições dentro do próprio grupo político. E assim, o esforço do ex-prefeito para não nacionalizar o debate vai seguir surtindo efeito. Falta ou sobra estratégia?

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Polícia apreende 200 cigarros eletrônicos de tabacaria ilegal no DF

Uma tabacaria em Ceilândia (DF) foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que apreendeu 200 cigarros...

Eduardo Bolsonaro quer concorrer ao Senado mesmo morando nos EUA; Flávio vai reunir a família para acabar com brigas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira (25) que pretende conversar com o irmão, Eduardo Bolsonaro, para definir os candidatos do...

Secretário do Tesouro diz que Caixa “olha de forma objetiva” para ativos do BRB, “assim como qualquer outra instituição”

O secretário do Tesouro Nacional e presidente do Conselho de Administração da Caixa, Rogério Ceron, afirmou que a Caixa analisa de forma objetiva...