COVID: PBH cria Comitê Popular com médicos e entidades para avaliar casos

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Belo Horizonte terá um Comitê Popular de Enfrentamento à COVID-19 a partir desta sexta-feira (3/5). O grupo será formado pelos infectologistas que trabalharam por dois anos junto com a prefeitura da capital para o controle da pandemia na cidade e outras entidades da área de saúde. A iniciativa busca alertar para a permanência do risco representado pelo coronavírus e quer a retomada do boletim epidemiológico do município com mais informações.
O grupo será apresentado em entrevista coletiva marcada para às 15h na Casa de Jornalista, Região Centro-Sul de BH. Os infectologistas Carlos Starling, Estêvão Urbano e Unaí Tupinambás, que formavam o Comitê de Enfrentamento à COVID da prefeitura de BH, estarão presentes e integrarão a iniciativa.
O comitê da PBH foi dissolvido em março deste ano, após o fim do estado de calamidade pública na cidade. Concomitante à saída dos médicos da equipe que gerencia as ações para controle da pandemia na capital, o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde também passou por mudanças.
Depois de cerca de dois anos com edições diárias de segunda a sexta-feira, o documento passou a ter duas edições semanais e informações reduzidas a partir de abril. Dados como a ocupação de leitos nos hospitais e a taxa de transmissão do vírus na cidade não constam mais nos boletins divulgados atualmente pelo município.
Nesta sexta-feira, o Comitê Popular divulgará a primeira edição de seu boletim próprio, contendo mais informações do que a versão da prefeitura. A expectativa do grupo é de que edições semanais sejam disponibilizadas para a população.
Além dos infectologistas do antigo grupo da prefeitura, farão parte do Comitê Popular, representantes das seguintes entidades: Comitê de Enfrentamento à COVID19 da UFMG, Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia, Associação de Usuários de Serviços de Saúde Mental de Minas Gerais, Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais, Diretório Central dos Estudantes da UFMG (DCE/UFMG), Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania, Observatório de Políticas e Cuidados em Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG, Pastoral da Saúde, Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Sindicato dos Enfermeiros de Minas Gerais, Sindicato das Psicólogas e Psicólogos de MG.

Críticas à PBH

O fim do estado de calamidade pública em BH, que culminou no encerramento do comitê municipal, aconteceu em momento de transição na cidade. O então prefeito Alexandre Kalil (PSD) estava deixando o cargo para concorrer ao governo de Minas. Em seu lugar assumiu seu vice e companheiro de partido Fuad Noman.
A Noman coube nomear novos secretários para vagas deixadas por nomes que acompanharam Kalil na empreitada eleitoral. A pasta de Saúde foi preenchida por Cláudia Navarro, que assumiu sob pressão.
Na ocasião, 40 entidades questionaram que alguém vinculado ao Conselho Regional de Medicina (CRM), que Cláudia presidiu, pudesse estar à frente da saúde da capital. A mudança no boletim e o fim da exigência de máscaras na cidade foram medidas tomadas sob a gestão da nova secretária.
Integrantes do Comitê Popular, a Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia, o Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte, o Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania, o Observatório de Políticas e Cuidados em Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG e o Sindicato dos Enfermeiros de Minas Gerais foram signatários do protesto contra Cláudia Navarro.

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