Milton Ribeiro recebeu R$ 50 mil na conta de sua mulher, admite advogado

Escrito por: Diógenes Cunha

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A defesa do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, preso nesta quarta-feira (22), admitiu que houve um depósito de R$ 50 mil na conta de Myriam Ribeiro, mulher do ex-chefe da pasta. O advogado Daniel Bialski alegou que o valor seria oriundo da venda de um carro.

O valor estaria ligado aos pastores. O criminalista não comentou a relação do depósito com o ex-ministro, nem nomeou o autor do depósito.

Milton Ribeiro, Arilton Moura, o pastor Gilmar Santos, o advogado Luciano Musse e o ex-assessor da Prefeitura de Goiânia Helder Bartolomeu foram presos nesta quarta-feira, 22. Contra o ex-ministro recaem suspeitas de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência. Todos são investigados pelo ‘gabinete paralelo’ instalado no MEC, com favorecimento de pastores na distribuição de verbas – caso revelado pelo Estadão.

Musse foi nomeado gerente de projetos em abril do ano passado pelo próprio ministro e atuava como apoio aos religiosos. Helder Bartolomeu é ligado a Arilton Moura.

A operação que apura a prática de tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) foi batizada como ‘Acesso Pago’ cumpre, ao todo, cinco ordens de prisão, solicitadas pela PF à Justiça. Além de Ribeiro, foram presos os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, que estão no centro do esquema sob suspeita.

A Polícia Federal informou que, com base em documentos, depoimentos e relatório de investigação preliminar da Controladoria-Geral da União (CGU), ‘foram identificados possíveis indícios de prática criminosa para a liberação das verbas públicas’.

Em nota, a CGU declarou que abriu uma investigação preliminar sumária em 23 de março de 2022 para “apurar a possível atuação irregular de agentes públicos e privados na intermediação de políticas públicas vinculadas ao Ministério da Educação”. A investigação terminou em 23 de maio.

“No decurso da Investigação Preliminar Sumária também foi identificada a prática de atos suspeitos por pessoas que não se submetem à competência correcional da Controladoria-Geral da União”, informou a CGU.

“Os indícios relacionados às condutas de tais pessoas foram, conforme a legislação de regência, devidamente encaminhados à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.”

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